Palmas tem aumento de 255% na taxa de homicídios em 2023; São 32 assassinatos em menos de 60 dias
No mesmo período de 2022 tinham sido nove assassinatos na capital. Onda de violência fez as forças de segurança anunciarem uma força-tarefa para tentar aumentar a segurança.
Para o professor Igor de Andrade Barbosa, especialista em direto penal e segurança pública, o aumento no número de mortes violentas está diretamente relacionado ao crime organizado.
“A primeira causa é a atuação cada vez maior de facções criminosas, organizações criminosas vinculadas ao tráfico de drogas no estado do Tocantins. Não há dúvidas de que há uma escalada e isso gera disputas violentas por pontos de vendas de entorpecentes, gera disputas violentas sob o transporte e distribuição da droga e isso acaba impactando no número de mortes", comentou"
A onda de violência em Palmas tem se intensificado nas últimas semanas. Só entre a noite de quinta (16) e a manhã sexta-feira (17) tinham sido quatro assassinatos. No fim de semana foram mais cinco homicídios, totalizando nove mortes nos últimos dias.
A maioria dos crimes aconteceu na região sul da capital. Veja a linha do tempo com as últimas mortes:
- Noite de quinta-feira (16): Homem morto a tiros em distribuidora de bebidas no Aureny IV
- Madrugada de sexta-feira (17): Briga entre ex-marido e novo namorado de mulher termina com uma morte
- Madrugada de sexta-feira (17): Morador de rua foi puxado pelas pernas e morto com cabo de vassoura no centro de Palmas
- Madrugada de sexta-feira (17): Segundo morador de rua morto em Palmas foi estrangulado ao lado de ponto de ônibus
- Noite de sexta-feira (17): Mulher conhecida como 'Bibi Perigosa' é assassinada a facadas na região sul de Palmas
- Madrugada de sábado (18): Homem é assassinado a tiros na região norte de Palmas
- Noite de sábado (18): Homem é morto a tiros na região sul de Palmas
- Noite de domingo (19): Homem é baleado em bar e morre em rua do Aureny III
- Madrugada de segunda-feira (20): Homem morto no Aureny III foi alvo de pelo menos 20 tiros
Diante de tantos homicídios as forças de segurança anunciaram medidas para tentar combater a criminalidade na capital. Entre as ações estão o reforço no policiamento e no monitoramento dos presos que estão cumprido pena com tornozeleira eletrônica. Na semana passada, o delegado de homicídios de Palmas, Israel Andrade, afirmou que apesar do alto número de homicídios a polícia tem conseguido também um alto nível de resoluções dos casos.
O especialista em segurança pública explica que não basta investimento em políticas criminais e de segurança pública. Segundo ele, o crime deve ser combatido, principalmente, com inclusão social.
"Como nós sabemos o crime deve ser combatido na origem. Na ausência do Estado cria-se um terreno livre para que o poder paralelo atue. É muito importante que o Estado tenha essa preocupação. Não se combate ao crime apenas com política criminal e segurança pública. O crime deve ser combatido com inclusão social. É muito importante que o Estado se faça presente com políticas públicas ligadas ao esporte, cultura e educação."
A repressão ao crime organizado, conforme o especialista, deve ser feita com trabalho policial inteligente, utilizando instrumentos e mecanismos que antecipem e sufoquem as organizações criminosas.
"Em resumo é muito importante investir em inteligência policial, aquela atuação preventiva que desarticula, evita a prática do crime e sufoca o grupo criminoso patrimonialmente", disse Igor Andrade.
O que diz a Polícia Civil Nesta segunda-feira (20), ao ser questionada sobre as últimas mortes, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que as equipes da 1ª Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa - 1ª DHPP de Palmas, bem como a perícia oficial do Estado estiveram em todos locais de crimes, colhendo informações que vão embasar os inquéritos policiais já instaurados, para apurar as circunstâncias e motivação, bem como suas respectivas autorias.
Afirmou ainda que as equipes estão em diligências e mais informações serão repassadas em momento oportuno.