A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Nêmesis, nova fase das investigações que apuram tentativas de obstrução das apurações da Operação Fames-19, que investiga o desvio de recursos públicos da pandemia de Covid-19 e de emendas parlamentares destinadas à compra de cestas básicas no Tocantins.
A ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins. Entre os alvos estão o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos), a primeira-dama Karynne Sotero, os filhos Rérisson Castro e deputado estadual Léo Barbosa, além da deputada estadual Cláudia Lelis (PV) e dos ex-secretários Thomas Jefferson e coronel Wander Araújo.
A Operação Nêmesis é um desdobramento direto da Fames-19, deflagrada em setembro deste ano, que levou ao afastamento de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama, por decisão do ministro Mauro Campbell, confirmada pela Corte Especial do STJ.
As investigações apontam indícios de que documentos e materiais de interesse da Polícia Federal teriam sido retirados de órgãos públicos com o uso de veículos oficiais, o que teria dificultado o trabalho dos investigadores e caracterizado embaraço à investigação.
A PF informou que as ações de hoje têm como objetivo impedir a destruição e ocultação de provas, identificar ativos desviados e reunir novos elementos que ajudem a esclarecer a participação dos investigados.
Segundo a apuração, os desvios investigados envolvem recursos destinados à compra de cestas básicas durante o período da pandemia, entre 2020 e 2021, quando Wanderlei Barbosa chefiava a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
A Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro público tenha sido desviada e aplicada na construção de uma pousada de luxo atribuída à família do governador.
A primeira-dama Karynne Sotero é apontada como uma das articuladoras do esquema, responsável por intermediar contratações e cuidar da documentação usada na liberação dos recursos, além de ter conhecimento prévio da distribuição dos valores desviados, conforme os indícios colhidos.
A PF apura a prática de fraude em licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. O inquérito segue sob sigilo judicial no STJ.
A assessoria de Wanderlei Barbosa confirmou que, durante as buscas, foram apreendidos celulares, e que, por enquanto, não haverá manifestação oficial sobre a nova operação.
A deflagração da Operação Nêmesis amplia o alcance da crise política no Estado. Com deputados, ex-secretários e familiares diretos entre os alvos, o caso assume nova dimensão e reacende o debate sobre o uso de verbas públicas durante a pandemia e a responsabilidade de agentes políticos no Tocantins.