O governo interino de Laurez Moreira (PSD) deu mais um passo para reordenar a estrutura administrativa do Tocantins. O governador em exercício convidou o presidente da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Tocantins (Faciet), Fabiano do Vale, para assumir a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI). O empresário aceitou o convite, e sua nomeação deve ser oficializada no próximo Diário Oficial.
A chegada de Fabiano marca uma tentativa de reorganizar uma das pastas mais sensíveis do governo estadual — justamente o setor que, segundo investigações da Polícia Federal, teria sido alvo de influência externa na gestão do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).
A SPI é citada diretamente no inquérito da Operação Nemêsis. De acordo com a PF, o grupo ligado ao ex-governador Wanderlei Barbosa teria atuado para manter influência dentro da pasta mesmo após o afastamento do republicano, ocorrido em 3 de setembro.
O principal articulador desse suposto esquema seria Thomas Jefferson, ex-titular da SPI durante o governo de Wanderlei. Ele divide sociedade em um escritório de advocacia com Rérison Castro, filho do governador afastado. O ex-gestor, segundo a investigação, estaria monitorando a administração interina por meio de aliados que permaneceram no governo.
A suspeita levou Laurez Moreira a uma reação imediata: exonerou Odilon Coelho, então responsável pela SPI, e Carlos Humberto Lima, que comandava a Secretaria da Indústria. Carlos Humberto negou à CCT qualquer participação no conluio mencionado pela PF.
Ao convidar Fabiano do Vale, figura influente no setor produtivo e respeitada entre empresários — Laurez sinaliza uma mudança de rota: quer blindar a pasta, reforçar a credibilidade da área e afastar qualquer resquício da antiga estrutura que, segundo a Polícia Federal, teria sido usada para interferências indevidas.
Fabiano assume em um momento de forte tensão institucional, com o governo interino tentando equilibrar governabilidade, estabilidade política e a necessidade de responder às suspeitas que surgiram com a Operação Nemêsis.
No compasso da política tocantinense, onde cada gesto pesa como pedra antiga no leito de um rio, a escolha do novo secretário é mais que uma nomeação: é um recado de que Laurez pretende firmar seu próprio pulso sobre a máquina administrativa, sem sombras, ruídos ou tutelas.