Brasil registra mais de 90 mil desaparecimentos de crianças em cinco anos

Por Iara M. Coelho de Castro - Correio do Tocantins
19/01/2026 20h42 - Atualizado há 1 mês
3 Min

O Brasil registrou mais de 90 mil desaparecimentos de crianças e adolescentes nos últimos cinco anos. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e mostram a gravidade de um problema que segue sem resposta para milhares de famílias.

Entre 2021 e abril de 2025, 90.256 crianças e adolescentes de até 17 anos desapareceram no país. Isso significa, em média, 57 casos por dia. Do total, 55,4 mil foram localizados, mas mais de 34 mil seguem desaparecidos.

Somente em 2025, até abril, foram registrados 7.331 casos. Em anos anteriores, os números também foram altos:

  • 22.103 casos em 2024

  • 20.333 em 2023

  • 21.848 em 2022

  • 18.641 em 2021

Números incompletos

O próprio Ministério da Justiça admite que os dados são parciais. Estados como Alagoas e Rio de Janeiro não enviaram informações completas em 2025. Goiás, São Paulo e o Distrito Federal também apresentaram falhas no envio. Isso indica que o total real pode ser ainda maior.

A dor por trás das estatísticas

Cada número representa uma família em sofrimento. A ativista Ivanise Esperidião da Silva vive essa realidade desde 1995, quando sua filha Fabiana, de 13 anos, desapareceu ao voltar da casa de uma amiga.

Sem apoio do poder público, Ivanise fundou, em 1996, o movimento Mães da Sé, hoje referência nacional no apoio a famílias de desaparecidos. Segundo ela, muitos casos envolvem crianças pequenas que somem perto de casa, enquanto brincam ou vão a locais próximos.

Ela destaca que os desaparecimentos ocorrem com mais frequência em áreas pobres, onde faltam câmeras e vigilância. “Para os pais, a vida vira uma pergunta sem resposta”, afirma.

Lei existe, mas não funciona como deveria

Desde 2005, a Lei da Busca Imediata determina que a polícia deve iniciar as investigações assim que o desaparecimento de uma criança é comunicado. Mesmo assim, muitas famílias ainda enfrentam demora.

Segundo Ivanise, ainda existe a prática equivocada de esperar 24 ou 48 horas para agir. Esse atraso pode ser decisivo. Ela também defende regras mais rígidas para evitar que crianças sejam levadas para outros estados ou países com documentos falsos.

Especialistas confirmam o problema. Em debates nacionais, pesquisadores alertaram que a lei não é cumprida como deveria e que o Brasil não possui um sistema nacional de alerta rápido, como ocorre em outros países.

Prevenção e atenção salvam vidas

Para Ivanise, prevenir ainda é o melhor caminho. Ela orienta que pais conversem com os filhos, acompanhem suas rotinas e fiquem atentos ao uso das redes sociais. A sociedade também pode ajudar: muitas pessoas já foram localizadas graças a fotos compartilhadas e denúncias feitas a tempo.

Como ajudar

Quem tiver qualquer informação sobre crianças ou adolescentes desaparecidos pode ligar para o 181, o Disque-Denúncia. A ligação é gratuita, funciona 24 horas por dia e não exige identificação. As informações são analisadas e encaminhadas rapidamente às autoridades.

Os números são altos. A dor é maior. Enquanto estatísticas crescem, milhares de famílias seguem vivendo o mesmo dia: o da espera.


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