A Polícia Civil do Tocantins concluiu, na manhã desta terça-feira (3), o inquérito da Operação Cavalo de Tróia e indiciou uma mulher de 37 anos, identificada pelas iniciais D.S.S., por 45 crimes de estelionato cometidos contra micro e pequenos empresários de Paraíso do Tocantins. A apuração revela um esquema reiterado, metódico e persistente, que deixou um rastro de prejuízos financeiros e frustração entre as vítimas.
As investigações foram conduzidas pela 63ª Delegacia de Polícia de Paraíso do Tocantins e apontam que a investigada abordava empreendedores com a promessa de intermediar financiamentos junto a instituições de crédito. Para “viabilizar” os supostos empréstimos, exigia pagamentos antecipados. O dinheiro era recebido, mas nenhum pedido real era protocolado e nenhum crédito, liberado.
Em um intervalo de cerca de dois meses, três vítimas inicialmente identificadas realizaram 45 transferências bancárias para a autora. Uma delas fez nove repasses; outra, 16; e a terceira, 20 transferências. O prejuízo somado chega a aproximadamente R$ 40 mil. O padrão repetitivo das fraudes foi decisivo para a caracterização dos múltiplos crimes de estelionato.
Segundo o delegado José Lucas Melo, titular da 63ª DP, o modo de atuação evidencia não apenas a extensão dos danos, mas a reincidência criminosa. “Mesmo com histórico criminal, condenações anteriores e outras restrições, a autora continuou praticando os golpes. A prisão foi necessária para interromper as condutas”, afirmou. O delegado também orientou que eventuais vítimas procurem a delegacia para registrar ocorrência.
Após a divulgação do caso, novas denúncias chegaram à Polícia Civil. Outras três pessoas relataram prejuízos semelhantes: duas afirmam perdas de cerca de R$ 26 mil e R$ 14 mil em falsas promessas de financiamento; uma terceira disse ter sido induzida a pagar boletos falsos fornecidos pela investigada. Diante dos novos relatos, outros inquéritos serão instaurados, com apuração individualizada.
Com a conclusão do procedimento principal, os autos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que agora analisam as medidas legais cabíveis. No papel, a fraude se encerra; na vida real, ficam as lições amargas de um crédito prometido e nunca entregue.