Justiça Eleitoral suspende duas pesquisas da Exata.GO no Tocantins após ação do União Brasil

Decisões liminares apontam falta de dados obrigatórios sobre amostra e setores censitários; partido diz que levantamentos não poderiam ser auditados

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A Justiça Eleitoral suspendeu, na manhã desta quarta-feira, 1º de abril, a divulgação de duas pesquisas de intenção de voto promovidas pela Exata.GO no Tocantins. As decisões liminares foram proferidas pela juíza Carolynne Souza de Macêdo Oliveira, após representações apresentadas pelo diretório estadual do União Brasil.

No pedido levado à Justiça, o partido sustentou que o instituto deixou de cumprir exigências previstas na regulamentação eleitoral para registro de pesquisas. Entre as informações que, segundo a ação, não foram apresentadas no prazo legal estão o número de eleitores entrevistados em cada setor censitário e a composição final da amostra, com detalhamento por gênero, faixa etária, grau de instrução e nível econômico.

Para o União Brasil, a ausência desses dados compromete a transparência do levantamento e impede a fiscalização da metodologia aplicada. Sem essas informações, argumentou a sigla, não seria possível verificar com segurança a consistência técnica das pesquisas registradas.

Ao analisar o caso, a magistrada entendeu haver elementos suficientes para deferir a medida de urgência. Nas decisões, Carolynne Souza destacou o risco de impacto indevido sobre o eleitorado. “A divulgação irregular de números estatísticos possui aptidão de causar interferência indevida ao eleitorado tocantinense, bem como de induzi-lo a erro mediante dados que carecem de transparência”, registrou a juíza.

Além de questionar a falta de complementação dos dados obrigatórios, o partido também levantou suspeitas sobre a forma como os levantamentos foram registrados. Advogado do União Brasil no Tocantins, Leandro Manzano afirmou que há indícios de inconsistência na própria execução das pesquisas.

“Há fortes indícios de que as pesquisas foram simuladas, uma vez que no dia de seu registro foram apresentados os exatos números da execução de um trabalho que ainda iria acontecer. Somado a isso, a falta de complementação dos dados essenciais torna as pesquisas absolutamente sem transparência e impossíveis de serem auditadas, o que justifica plenamente a suspensão determinada pela Justiça Eleitoral”, declarou.

As decisões têm caráter liminar, ou seja, foram tomadas em caráter inicial e ainda estão sujeitas ao andamento do processo. Com a suspensão, as duas pesquisas ficam impedidas de ser divulgadas até nova deliberação da Justiça Eleitoral.

O caso reacende a discussão sobre o rigor exigido no registro de levantamentos eleitorais, sobretudo em um cenário em que pesquisas têm peso político e podem influenciar a percepção do eleitorado. Sem transparência mínima sobre a amostra e a metodologia, o que deveria servir como instrumento de informação passa a carregar o risco de desinformar.