Eli Borges rebate Wanderlei, expõe bastidores da campanha e dispara: “Se quiser me expulsar, fique à vontade”

Deputado contesta declarações do governador, reclama de atrasos nos repasses de recursos eleitorais e da falta de apoio de prefeitos do Republicanos durante sua candidatura ao Senado.

Por
7 Min

O deputado federal Eli Borges (Republicanos) respondeu neste sábado (10) às críticas feitas pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) após sua decisão de apoiar Vicentinho Júnior (PSDB) no segundo turno das eleições para o Governo do Tocantins. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar contestou a versão apresentada pelo governador sobre o apoio recebido durante a campanha ao Senado e relatou dificuldades com a liberação de recursos financeiros, falta de espaço em eventos políticos e ausência de apoio de integrantes do próprio partido.

Eli iniciou o pronunciamento lembrando os 271.829 votos conquistados na disputa ao Senado e afirmou que havia optado por manter uma postura discreta após a eleição, mas decidiu se manifestar diante das declarações de Wanderlei.

“Terminei a campanha, não fui eleito, preferi o silêncio, apenas dando respostas pontuais. Mas eu tenho que resgatar a minha honra atacada pelo governador”, declarou.

A resposta ocorre depois de Wanderlei afirmar que o Republicanos destinou mais de R$ 3,18 milhões à campanha de Eli, garantindo estrutura financeira, legenda e tempo de televisão. O governador também questionou a mudança de posicionamento do deputado, que apoiava Professora Dorinha (União Brasil) no primeiro turno e anunciou adesão a Vicentinho na sexta-feira (9).

Eli questiona atraso na liberação dos recursos

Um dos principais pontos levantados pelo deputado foi a forma como os recursos eleitorais foram disponibilizados pelo Republicanos.

Eli não negou o recebimento do dinheiro mencionado pelo governador, mas argumentou que os repasses ocorreram de maneira parcelada e em momentos que comprometeram o planejamento financeiro da candidatura.

Segundo ele, os candidatos a deputado federal do partido receberam valores semelhantes aos destinados à sua campanha ao Senado, embora a disputa majoritária exigisse despesas mais elevadas com deslocamentos, produção audiovisual, materiais de campanha e serviços jurídicos.

O parlamentar afirmou que havia um entendimento para que os recursos fossem liberados logo após o registro da candidatura, o que, segundo sua versão, não aconteceu.

“O pacto era esse: registrou a candidatura, o recurso chega”, declarou.

Conforme Eli, inicialmente foi disponibilizado apenas 25% do montante previsto, situação que o levou a buscar uma solução junto à direção partidária.

Ele afirmou que as parcelas seguintes chegaram quando a campanha já enfrentava dificuldades financeiras, sendo que o último repasse teria ocorrido na reta final da eleição.

“Por que não mandaram logo após o registro da candidatura? Porque não acreditavam na minha eleição e o senhor deveria ter me defendido com o presidente do partido”, afirmou.

As declarações representam a versão do deputado sobre a distribuição dos recursos. Os valores, as datas dos repasses e sua aplicação podem ser confrontados com os documentos de prestação de contas apresentados à Justiça Eleitoral.

Deputado reclama de tratamento recebido em eventos políticos

Eli Borges também relatou insatisfação com o espaço que recebeu durante os compromissos eleitorais do grupo governista.

O parlamentar mencionou episódios ocorridos em Gurupi e Paraíso do Tocantins e afirmou que, em um dos últimos comícios da campanha, recebeu apenas três minutos para discursar, por volta das 22 horas.

Segundo ele, o tratamento dispensado à sua candidatura não correspondeu ao apoio que esperava receber de uma estrutura política liderada pelo governador.

O deputado também reclamou de não ter sido procurado pela direção do grupo após a divulgação dos resultados eleitorais.

Eli afirmou que esperava uma conversa com Wanderlei e outras lideranças para avaliar sua votação e discutir os próximos passos políticos. Entretanto, segundo seu relato, reuniões foram realizadas com integrantes do grupo e prefeitos sem que ele fosse convidado.

O parlamentar também mencionou a ausência de um contato oficial da senadora Professora Dorinha, embora tenha ressaltado que mantém respeito por ela.

Eli questiona apoio de prefeitos do Republicanos

Outro ponto da resposta foi direcionado à atuação de prefeitos e lideranças municipais filiados ao Republicanos durante a disputa pelo Senado.

Eli recordou que Wanderlei havia anunciado publicamente sua candidatura pela legenda e levantou questionamentos sobre o envolvimento efetivo dos integrantes do partido na campanha.

O deputado perguntou a quem os candidatos e prefeitos do Republicanos estavam declarando apoio na corrida ao Senado, mencionando os cerca de 50 prefeitos vinculados à sigla no Tocantins.

Nesse contexto, citou Fábio Vaz e Cleito Cardoso como exceções ao comportamento que criticava.

Segundo Eli, alguns prefeitos condicionavam o apoio à sua candidatura a uma orientação direta do governador.

O parlamentar afirmou que caberia a Wanderlei, na condição de presidente estadual do partido, mobilizar as lideranças municipais para fortalecer a candidatura do Republicanos ao Senado.

Para Eli, a falta dessa articulação representou uma das dificuldades enfrentadas ao longo do processo eleitoral.

“Se o senhor quiser me expulsar, fique à vontade”

Na parte final do vídeo, Eli Borges reagiu à declaração de Wanderlei de que aliados que tiveram comportamentos considerados inadequados deixariam de integrar seu grupo político.

O deputado interpretou a manifestação como um possível sinal de rompimento e afirmou que não teme uma eventual medida de afastamento do Republicanos.

“Fique tranquilo, se o senhor quiser me expulsar, fique à vontade. Continuaremos nesse debate, porque eu tenho imagens para mostrar”, declarou.

Eli também sinalizou que possui registros de situações ocorridas durante a campanha e que poderá torná-los públicos caso a controvérsia continue.

Apesar do tom de confronto, disse que preferia não prolongar a discussão e considerou inadequado que lideranças políticas mantivessem esse tipo de embate publicamente.

“Se eu estou respondendo, o faço porque fui provocado a fazê-lo”, concluiu.

Divergência ocorre após apoio a Vicentinho Júnior

O confronto entre Wanderlei Barbosa e Eli Borges teve início após o parlamentar oficializar apoio a Vicentinho Júnior no segundo turno da eleição estadual.

Na sexta-feira (9), Eli participou de um encontro com o candidato tucano e justificou sua decisão pela identificação com um novo projeto político para o Tocantins, além da relação construída entre os dois durante a atuação na Câmara dos Deputados.

No dia seguinte, Wanderlei divulgou um vídeo criticando a mudança de posicionamento. O governador afirmou que a direção do Republicanos havia garantido as condições necessárias para a candidatura de Eli ao Senado e rejeitou as alegações de que o parlamentar teria sido prejudicado.

Com a resposta do deputado, a divergência passou a envolver diretamente a distribuição de recursos eleitorais, a participação dos prefeitos do Republicanos na campanha e o tratamento dispensado ao candidato ao Senado durante o primeiro turno.

Wanderlei permanece no grupo político que apoia Professora Dorinha, enquanto Eli passou a integrar a campanha de Vicentinho Júnior.

A troca pública de declarações evidencia o desgaste na relação entre duas lideranças do mesmo partido em meio às articulações para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.