Deputados se dividem sobre abertura de impeachment de Wanderlei Barbosa e movimento avança nos bastidores da Assembleia

Articulação tenta reunir 16 assinaturas para que o presidente Amélio Cayres aceite um dos três pedidos protocolados contra o governador afastado

Por Thiago de Castro - Correio do Tocantins
30/10/2025 11h20 - Atualizado há 4 meses
4 Min

A cena política do Tocantins voltou a ferver. Deputados estaduais confirmaram, sob reserva, que há uma movimentação intensa dentro e fora da Assembleia Legislativa para tentar abrir um processo de impeachment contra o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos). O movimento busca convencer o presidente da Casa, Amélio Cayres (Republicanos), a aceitar um dos três pedidos já protocolados, dois deles apresentados pelo ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB) e outro pelo advogado Paulo Roberto da Silva, de Araguaína.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, parlamentares e assessores ligados ao Palácio Araguaia estão se articulando para coletar assinaturas. Até agora, o grupo teria obtido 12 nomes, mas precisa chegar a 16 para dar força política à iniciativa. Esse número representa dois terços do plenário, o mínimo considerado aceitável por Amélio Cayres para que o processo tenha respaldo e não nasça fragilizado.

Negativas e cautela

O deputado Gutierres Torquato (PSD), um dos nomes mais próximos do governador em exercício Laurez Moreira (PSD), negou qualquer tipo de lista circulando nos gabinetes. “Não há movimento dentro da Assembleia nesse sentido”, garantiu. Outros parlamentares, sem se identificar, também minimizaram o assunto, dizendo que há apenas “conversas de bastidores” e nenhum documento formal em andamento.

Equilíbrio instável

Apesar das negativas, o clima é de desconfiança. A base de Wanderlei tenta conter avanços do grupo que defende o impeachment, enquanto aliados de Laurez acreditam que o desgaste do ex-governador pode acelerar o processo.

Nos corredores, comenta-se que a votação recente do empréstimo estadual, aprovada mesmo com tentativa de boicote de parte da base de Wanderlei, revelou rachaduras na fidelidade política do grupo.

Para analistas e deputados experientes, o episódio serviu como um teste de força: se nem todos os aliados seguiram a orientação naquela votação, o apoio a Wanderlei pode não ser tão sólido quanto parece.

Influência e cálculos eleitorais

Outro fator que pesa é a postura da ala ligada à senadora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil), que inclui os deputados Jair Farias (UB), Vanda Monteiro (UB), Janad Valcari (PL) e Nilton Franco (Republicanos). Essa bancada tem pouco interesse em apoiar o impeachment, já que a volta de Wanderlei ao cargo poderia fortalecer Dorinha como possível candidata ao governo em 2026.

A avaliação entre observadores é que a disputa entre Dorinha e Laurez pela sucessão estadual começa a influenciar os bastidores da Assembleia, e qualquer movimento precipitado pode reconfigurar alianças.

STF no centro das atenções

Boa parte dos deputados prefere aguardar o julgamento do agravo interposto por Wanderlei Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode devolver-lhe o comando do Estado. O receio é claro: se assinarem um pedido de impeachment agora e o ex-governador for reconduzido ao cargo, os signatários poderão se tornar alvos de retaliações políticas.

Silêncio estratégico

O presidente da Assembleia, Amélio Cayres, mantém postura de cautela. Reservadamente, ele teria informado que não pretende se manifestar nem tomar decisão antes do posicionamento do STF. Para interlocutores, a prudência é uma forma de preservar a estabilidade institucional e evitar um desgaste desnecessário entre os blocos parlamentares.

Enquanto isso, o jogo segue em silêncio nos bastidores. Grupos favoráveis ao afastamento definitivo de Wanderlei afirmam que já conseguiram as 16 assinaturas necessárias, mas, até agora, nenhuma lista foi apresentada oficialmente.

Nos gabinetes, ninguém confirma nem desmente. O único consenso é que qualquer passo precipitado pode mudar o rumo político do Estado, onde a disputa pelo poder já começou, mesmo antes de 2026.


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