Justiça suspende licitação de R$ 3,4 milhões da Prefeitura de Nova Olinda após denúncia do MPTO
A Justiça do Tocantins determinou, na manhã desta quinta-feira (30), a suspensão da Concorrência Eletrônica nº 003/2025, promovida pela Prefeitura de Nova Olinda, no norte do estado. A decisão liminar atendeu a um pedido do Ministério Público do Tocantins (MPTO), que apontou seis irregularidades no edital destinado à contratação de uma empresa para a construção de unidades habitacionais no município, em um valor estimado de R$ 3,4 milhões.
Irregularidades e restrição à concorrênciaA ação foi apresentada pela 14ª Promotoria de Justiça de Araguaína, responsável pela defesa do patrimônio público, e analisada durante o plantão judicial, já que a sessão pública da licitação estava prevista para ocorrer às 10h da manhã do mesmo dia.
Entre as irregularidades apontadas, o MPTO destacou exigências consideradas ilegais e cláusulas restritivas à livre concorrência, como a obrigação de que a empresa vencedora instalasse uma filial em Nova Olinda no prazo de até 60 dias após a assinatura do contrato.
Outra falha grave identificada foi a inclusão do “sorteio” como critério de desempate, prática proibida pela Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações). O edital também apresentava divergências quanto ao índice de reajuste contratual, o que, segundo o Ministério Público, comprometia a segurança jurídica e a transparência do processo licitatório.
Decisão judicial e multa diáriaAo acatar o pedido do MPTO, o Poder Judiciário entendeu que as irregularidades apresentadas “comprometem a transparência e a competitividade do certame”, elementos essenciais para garantir a lisura das contratações públicas.
A decisão determinou a suspensão imediata da licitação e fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, valor que deverá ser revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Ação segue em tramitaçãoA ação civil pública continua em tramitação na Vara da Fazenda Pública de Araguaína, onde será analisado o mérito das irregularidades levantadas pelo Ministério Público. Até o momento, a Prefeitura de Nova Olinda não se manifestou publicamente sobre a decisão judicial.