“Município é rico, mas o povo continua pobre”, diz vereador ao acusar gestão de Palmeirante de desvio de recursos e contratos de fachada

Por Thiago de Castro - Correio do Tocantins
11/11/2025 11h19 - Atualizado há 1 mês
3 Min

O vereador Vicente Coelho (PSDB) protagonizou um dos discursos mais duros da atual legislatura de Palmeirante, ao denunciar na tribuna da Câmara supostos desvios de recursos públicos, contratos irregulares e abandono de serviços essenciais.

Segundo ele, a atual gestão estaria “entregando o dinheiro do povo a empresas de fachada e alimentando uma máquina inchada e ineficiente”.

Empresas sob suspeita e orçamentos questionados

Vicente abriu sua fala criticando o uso de créditos suplementares e a falta de transparência na execução orçamentária. Ele apontou empresas contratadas que, segundo suas palavras, “recebem milhões e não mostram resultado algum”.

“A empresa FAN já levou mais de dois milhões de reais. Qual estrada ela fez?”, questionou o vereador, acrescentando que a empresa S. de Sousa Lima teria movimentado R$ 900 mil indevidamente, inclusive com recursos da Educação.

 

“Enquanto desviam dinheiro, alunos sofrem para chegar às escolas e faltam condições mínimas de ensino”, criticou.

 

Saúde em crise e recursos sem destino

O parlamentar denunciou ainda o colapso da rede de saúde do município, citando o caso de valores que deveriam ser devolvidos por irregularidades.

 

“Foram desviados R$ 796 mil só da saúde. E mesmo com R$ 1,3 milhão em emendas, não há cadeira de dentista funcionando nem exames laboratoriais dignos. O teto está caindo e o lixo se acumula”, afirmou.

 

Entre os repasses mencionados por ele, estão recursos destinados pelo Senador Eduardo Gomes, deputado Alexandre Guimarães, deputado Gaguim e senadora Dorinha, totalizando mais de R$ 1,3 milhão, que, segundo Vicente, “sumiram sem deixar melhorias”.

Contratos fantasmas e descaso com o esporte

Outro ponto de denúncia foi o setor esportivo. Vicente revelou o pagamento de R$ 10,2 mil mensais a uma van que, conforme disse, “nunca transportou nenhum jogador”.

 

“Isso é crime. É desvio de finalidade. O dinheiro do esporte foi para o ralo enquanto a juventude fica sem apoio”, declarou.

Folha inchada e demissões injustificadas

O vereador também atacou a gestão pela forma como conduz a folha de pagamento municipal, que, segundo ele, “virou cabide político”.

 

“Tem funcionário fantasma demais, e quem trabalha é demitido no silêncio da noite. Isso é um desrespeito ao povo e um crime contra o trabalhador”, afirmou.


Vicente estimou que a folha ultrapasse R$ 2 milhões, e disse que a Prefeitura vem quebrando contratos antes do prazo legal, sem justificativa.

Cobrança por transparência e coragem na tribuna

Em tom de indignação, Vicente Coelho afirmou que o problema de Palmeirante não é a falta de dinheiro, mas sim a falta de gestão e de moralidade.

 

“O município é rico, mas o povo continua pobre. Tem arrecadação milionária, mas a cidade não tem um abatedor de frango, uma ponte ou uma escola reformada. Isso é o retrato do descaso”, declarou.

 

Encerrando o discurso, o vereador cobrou explicações da Prefeitura sobre o destino dos recursos e prometeu continuar fiscalizando:

 


“Eu não tenho medo de falar. Quem cala diante da corrupção é cúmplice dela. Palmeirante precisa acordar.”

 


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