Corrida ao governo intensifica racha entre PP e União Brasil no Tocantins

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A relação já desgastada entre PP e União Brasil no Tocantins ganhou novos contornos nas últimas 72 horas, revelando um racha que vai muito além das disputas internas da futura superfederação “União Progressista”. A cisão ficou evidente após declarações públicas do deputado federal Vicentinho Júnior (PP), presidente estadual da sigla e pré-candidato ao Senado, e a resposta firme da senadora Professora Dorinha (União Brasil), uma das principais lideranças do partido no estado.

Vicentinho declara apoio a Laurez e questiona experiência de Dorinha

O estopim da crise foi um trecho de entrevista de Vicentinho Júnior que viralizou nas redes sociais. No vídeo, compartilhado pelo próprio deputado, ele deixa claro que, na disputa pelo governo em 2026, sua escolha está feita: o governador interino Laurez Moreira (PSD) e não a senadora Dorinha, dirigente estadual do União Brasil e potencial parceira de federação.

“Você não entrega seu carro a quem nunca dirigiu. Não coloca sua saúde nas mãos de quem não tem experiência. Com o Tocantins não pode ser diferente”, afirmou o parlamentar, defendendo que a crise do estado exige alguém com histórico no Executivo. Laurez, segundo ele, reúne esse perfil, com trajetória que inclui mandatos como vereador, deputado e prefeito de Gurupi por dois períodos “muito bem avaliados”.

Apesar do tom crítico, Vicentinho fez ressalvas elogiosas ao trabalho de Dorinha no Congresso e na área da educação. Porém, a mensagem política direta e sem disfarces foi a de que, para 2026, sua preferência está consolidada.

Dorinha reage, lista trajetória no Executivo e rebate narrativa do PP

As declarações do deputado provocaram reação imediata. No domingo, 16, Dorinha publicou uma mensagem em tom firme, ainda que diplomático, contestando a narrativa de “falta de experiência executiva”.

A senadora elencou sua passagem pela gestão pública: diretora do Campus de Arraias, quase dez anos à frente da Secretaria de Educação do Tocantins, período no qual administrou cerca de 25% do PIB estadual, comandou aproximadamente 50 mil servidores e geriu uma rede que atendia 560 mil estudantes. Citou ainda obras, expansão da rede física escolar e a criação do Salão do Livro como marcos de sua gestão.

Dorinha também questionou a lógica usada por Vicentinho, citando exemplos emblemáticos da política tocantinense:

 

“Na lógica da fala, Siqueira Campos foi um erro, porque não foi executivo antes? Wagner (Araguaína) um erro, porque era inexperiente?”

 

Sem elevar o tom além do necessário, a senadora afirmou que segue “mais firme que nunca”, reconheceu que cada grupo tem liberdade para escolher seus caminhos, mas fez um reparo direto: “Não vale não conhecer a legislação”.

Federação em crise: Tocantins é mais um capítulo de um conflito nacional

O embate entre Vicentinho e Dorinha apenas expõe a face local de um problema que percorre o Brasil. A superfederação PP–União Brasil, ainda pendente de homologação pelo TSE, já enfrenta resistência, desfiliações e disputas em vários estados:

— no Paraná, Pedro Lupion deixou o PP e Francischini tenta saída do União;
— no Rio de Janeiro, o União vive disputas internas sobre o apoio a Eduardo Paes;
— em São Paulo, lideranças das duas siglas travam queda de braço pelo comando estadual;
— na Paraíba e no Acre, o clima também é de conflito aberto.

No Tocantins, o recado foi explícito: cada liderança segue sua rota própria. Vicentinho falou “como deputado, como pré-candidato ao Senado e, sobretudo, como eleitor”, deixando claro que não pretende alinhar-se automaticamente à federação.

Rumo a 2026: alianças locais desafiam decisões nacionais

A resposta de Dorinha, por sua vez, indica que o União Brasil não pretende deixar sem contraponto a narrativa construída pelo PP. A divergência pública entre os dois parlamentares imprime um novo grau de tensão à corrida estadual e fragiliza, ainda mais, as amarrações nacionais da superfederação.

O episódio confirma que, no Tocantins, as decisões de 2026 caminham para ser construídas mais pelas relações locais e pelas divergências internas do que pelas diretrizes que saírem de Brasília.


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