Entenda o pedido de impeachment contra Kasarin e a suspensão judicial: o que se sabe até agora
Crise entre Executivo e Legislativo em Colinas levou à abertura do processo contra o prefeito, que acabou suspenso por decisão da Justiça
O município de Colinas do Tocantins vive, desde o segundo semestre de 2025, uma sucessão de fatos políticos que expôs o agravamento da relação entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo e culminou na abertura de um pedido de impeachment contra o prefeito Josemar Carlos Casarin, conhecido como Kasarin. O embate avançou do campo político para a esfera judicial após a suspensão do processo por decisão da Justiça.
A seguir, o Correio do Tocantins apresenta, de forma organizada e analítica, os principais marcos dessa crise institucional.
Tensão política e mudança de forças na CâmaraNo segundo semestre de 2025, a relação entre o Executivo e o Legislativo passou a apresentar sinais claros de desgaste. Vereadores intensificaram pedidos de informação, requerimentos e cobranças públicas sobre atos da Prefeitura. Temas como pagamentos, contratos e procedimentos administrativos passaram a dominar as sessões da Câmara Municipal de Colinas do Tocantins.
Nesse período, ocorreu também uma inversão da maioria política na Câmara. Dos 13 vereadores, 10 migraram para a oposição ao prefeito e apenas três permaneceram na base governista. A mudança alterou o equilíbrio de forças no Legislativo e criou um novo cenário para a condução das pautas políticas no município.
O pedido de impeachmentEm outubro de 2025, foi protocolado na Câmara Municipal um pedido formal de impeachment contra o prefeito, com base no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata das infrações político-administrativas de prefeitos.
A denúncia apresentou, entre os principais pontos:
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questionamentos sobre valores pagos ao prefeito a título de verbas rescisórias e retroativas;
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alegações de possíveis irregularidades em contrato de locação de imóvel destinado ao Conselho Tutelar;
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apontamentos sobre suposto descumprimento de normas administrativas e legais.
O pedido foi lido em plenário e submetido à apreciação dos vereadores.
Abertura do Processo Político-AdministrativoPor maioria de votos, os vereadores aprovaram o recebimento da denúncia e autorizaram a instauração do Processo Político-Administrativo (PPA). Na mesma sessão, foi formada a Comissão Processante, responsável por conduzir a apuração, analisar documentos, ouvir testemunhas e assegurar o direito de defesa do prefeito.
A partir desse momento, o conflito político passou a tramitar em um procedimento formal de natureza jurídica e administrativa.
Defesa do prefeito e questionamentos ao ritoApós ser notificado, o prefeito apresentou defesa e passou a questionar aspectos formais da tramitação do processo. Entre os principais pontos levantados estavam:
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prazos de notificações considerados insuficientes;
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falhas na publicidade de atos;
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dificuldades de acesso a documentos;
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questionamentos sobre a regularidade de peças do processo.
A defesa também informou que valores questionados teriam sido posteriormente devolvidos aos cofres públicos.
Avanço dos trabalhos e intensificação do debateMesmo com os questionamentos, a Comissão Processante deu continuidade aos trabalhos, com marcação de oitivas, juntada de documentos e demais etapas previstas no rito legal. O tema passou a dominar o debate político local, com manifestações de parlamentares, do prefeito e de setores da sociedade.
O processo avançou em um ambiente de forte polarização institucional.
Ação judicial e pedido de suspensãoCom a permanência dos questionamentos sobre o rito, a defesa do prefeito ingressou na Justiça solicitando a suspensão do Processo Político-Administrativo nº 001/2025, sob o argumento de que estariam ocorrendo violações ao contraditório, à ampla defesa e à publicidade dos atos.
A ação pediu a interrupção do trâmite até que a legalidade formal do procedimento fosse analisada pelo Judiciário.
Decisão da Justiça suspende o processoEm 27 de novembro de 2025, o juiz José Roberto Ferreira Ribeiro, da 1ª Vara Cível da comarca, concedeu liminar determinando a suspensão imediata do processo de impeachment em trâmite na Câmara.
Na decisão, o magistrado apontou indícios de possíveis irregularidades formais, especialmente relacionados à publicidade dos atos, aos prazos de notificação e à regularidade de documentos. A liminar proibiu a prática de qualquer novo ato, inclusive eventual votação de relatório final, sob pena de multa.
O juiz ressaltou que o Judiciário não analisa o mérito político da cassação, limitando-se ao controle da legalidade do procedimento.
Posicionamento da Câmara MunicipalApós a decisão, a Câmara Municipal divulgou nota oficial informando que:
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cumprirá integralmente a determinação judicial;
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entende que todos os prazos e procedimentos legais foram observados;
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declarou estranheza por não ter sido previamente ouvida antes da concessão da liminar;
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e anunciou que irá recorrer da decisão.
O Legislativo sustenta que os atos foram praticados com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Situação atual e análise do momentoCom a liminar em vigor, o processo de impeachment encontra-se totalmente suspenso. A Câmara foi formalmente citada para apresentar contestação, e o Ministério Público acompanha o caso.
A partir deste ponto, o conflito deixa de ser apenas político e passa a ter no Judiciário o seu principal campo de definição. O centro da discussão se desloca para a validade formal do rito adotado pela Câmara, e o desfecho dependerá, sobretudo, da análise judicial sobre a regularidade dos atos já praticados.
Enquanto não há uma decisão definitiva, a crise segue produzindo efeitos sobre a relação entre os Poderes no município e deve continuar influenciando o cenário político e administrativo de Colinas nos próximos meses.