Sem diálogo, Dorinha enfrenta obstáculos entre deputados estaduais
A ausência de diálogo da senadora Dorinha Seabra Rezende (UB) com a Assembleia Legislativa do Tocantins tem se convertido em um dos principais entraves à construção de um projeto político mais amplo no estado. Nos bastidores do Parlamento, deputados estaduais avaliam que a relação com a senadora é marcada por distanciamento e falta de interlocução, o que vem gerando resistências silenciosas, porém consistentes.
Parlamentares relatam que, durante os 92 dias de afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), a senadora não buscou contato institucional ou político com a maioria dos deputados estaduais. A interlocução, segundo essas avaliações, teria se mantido restrita a um grupo reduzido de parlamentares considerados mais alinhados à sua base política dentro da Casa.
Esse cenário tem impacto direto sobre o debate eleitoral. Deputados afirmam que eventual apoio da Assembleia a um projeto liderado por Dorinha não ocorrerá de forma automática ou por simples alinhamento ao Executivo. A leitura predominante é de que o respaldo político não será transferido por conveniência ou hierarquia, mas dependerá de construção direta, presença e diálogo contínuo da própria senadora.
Nos corredores da Assembleia, o entendimento é de que articulação política não se delega. O apoio, segundo parlamentares, precisa ser conquistado no contato pessoal, na escuta e na construção de confiança, práticas tradicionais da política estadual que seguem determinantes na definição de alianças.
Enquanto isso, a movimentação do deputado federal Alexandre Guimarães (MDB) tem sido observada com atenção e simpatia por parte de deputados estaduais. O emedebista é visto como alguém que mantém canais abertos de diálogo com diferentes correntes do Legislativo, característica considerada estratégica em um momento de reorganização política.
Deputados também recordam que Alexandre Guimarães teve papel relevante na tentativa de viabilizar a pré-candidatura do presidente da Assembleia, Amélio Cayres (Republicanos), ao Palácio Araguaia, antes do afastamento do governador. O projeto, embora não tenha avançado, evidenciou a capacidade de articulação e trânsito político do deputado federal.
O pano de fundo revela uma dinâmica conhecida na política tocantinense: projetos majoritários não se sustentam apenas por indicações ou alinhamentos formais. Na Assembleia, o recado é claro e pragmático — sem diálogo, não há apoio.