O vereador Walter Viana (PRD), líder do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), na Câmara Municipal, será o relator da proposta que trata da possibilidade de reeleição para a Mesa Diretora do Legislativo da Capital. A matéria tramitará na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ).
O tema, já tratado anteriormente nos bastidores políticos, ganhou novo fôlego após uma troca de ofensas em um grupo de WhatsApp entre o atual presidente da Câmara, Marilon Barbosa (Republicanos), e o vereador José do Lago Folha Filho (PSDB). Ambos disputam espaço na sucessão do comando da Casa. Marilon manifesta interesse em concorrer à reeleição, enquanto Folha pretende retornar à presidência. Os dois se enfrentaram na eleição da Mesa Diretora em 1º de janeiro do ano passado.
Parlamentares da base governista relataram que Marilon teria tentado vincular a votação da reeleição à apreciação da Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada nesta quinta-feira (29). A iniciativa, no entanto, não avançou. Por cautela jurídica, os vereadores entenderam que a discussão sobre reeleição deveria seguir o rito regimental próprio, sem associação com a votação do Orçamento de Palmas para 2026. Ainda assim, nos bastidores, há relatos de que o presidente tentou condicionar a inclusão do tema à aprovação da LOA.
Segundo vereadores ouvidos, Marilon também teria tentado envolver o prefeito Eduardo Siqueira Campos na discussão. O chefe do Executivo, porém, não quis participar do debate, sob o argumento de que se trata de uma questão interna corporis, que deve ser resolvida exclusivamente pelos parlamentares. Não houve, portanto, pedido de apoio do Paço Municipal em favor de nenhum dos lados.
Um detalhe que chama atenção nos corredores da Câmara é que a possibilidade de reeleição da Mesa Diretora foi encerrada em 2009, quando a Casa era presidida por Wanderlei Barbosa (Republicanos), hoje governador do Estado e irmão de Marilon.
No Legislativo, a disputa entre Marilon e Folha não tem agradado a maioria dos vereadores. Pelo contrário, cresce a articulação em torno de uma terceira via para a presidência da Câmara no próximo biênio. De acordo com parlamentares, a avaliação interna é de que nenhum dos dois nomes representa consenso. “A ideia é construir um nome novo, que represente o Parlamento à altura”, afirmou um vereador, sob reserva.
Mesmo que a reeleição venha a ser aprovada, interlocutores afirmam que isso não garante vantagem a Marilon. Levantamentos informais indicam que o atual presidente teria, no momento, menos de cinco votos, enquanto Folha contaria com no máximo dois. Já o grupo que defende a terceira via afirma reunir cerca de 16 dos 23 vereadores, o que, segundo eles, tornaria praticamente irreversível a escolha de um novo nome para comandar a Casa.
Ainda não há definição sobre quem encabeçará essa terceira via. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que o nome a ser escolhido deverá ter alinhamento político com o prefeito Eduardo Siqueira Campos, sem gerar resistência entre os pares, e só deve ser apresentado no momento considerado mais oportuno pelo grupo.