A sessão desta quarta-feira (4) na Assembleia Legislativa do Tocantins foi marcada por um embate público entre parlamentares após declarações do deputado Júnior Geo, que usou a tribuna para criticar o governo estadual e, posteriormente, foi questionado por colegas sobre afirmações envolvendo suposta oferta de propina.
Em discurso inicial, Júnior Geo cobrou a convocação de aprovados em concursos públicos no Estado. Segundo ele, mais de 4 mil professores aguardam nomeação após concurso da Educação. “O que está acontecendo no Tocantins não é normal, não é aceitável”, afirmou. O deputado acusou o que chamou de “prática de curral eleitoral” e também citou a demora na convocação de aprovados em outros certames, como o da Polícia Civil.
Na sequência, o presidente da Casa, Amélio Cayres, saiu em defesa do governador Wanderlei Barbosa, destacando a realização de concursos durante a atual gestão. “Foi esse governador que executou concurso, que teve a decência e a coragem de realizar certames”, afirmou.
O clima se acirrou quando a deputada Janad Valcari levou à tribuna a repercussão de uma entrevista concedida por Júnior Geo, na qual ele afirmou ter recebido proposta de propina por parte de um instituto, sugerindo que a prática seria comum no meio parlamentar.
Janad classificou a fala como grave e disse sentir indignação. Para ela, não é admissível lançar suspeitas genéricas sobre o Parlamento sem apresentação de provas. “Se houve oferta de propina, é crime. É gravíssimo. Quem afirma isso tem o dever moral e político de denunciar, citar nomes e acionar o Ministério Público”, afirmou. A deputada desafiou Geo a formalizar a denúncia e disse estar disposta a acompanhá-lo.
Em resposta, Júnior Geo negou ter acusado colegas de receberem propina. Disse que a proposta teria sido feita diretamente a ele e citou o nome do IDESP, afirmando que teria sido oferecida a devolução de cerca de 30% do valor de emendas destinadas ao instituto. “Não acusei nenhum colega”, alegou. O deputado afirmou ainda que registrou denúncia no Ministério Público.
A fala não encerrou o conflito. Janad reagiu duramente, acusando Geo de não sustentar o que diz. “Tenha coragem de sustentar a palavra”, afirmou, elevando o tom e criticando a postura do colega. Ela também declarou que nunca destinou emendas ao instituto citado.
Geo retrucou afirmando que não manteria o debate no mesmo nível e disse confiar que os órgãos de controle irão apurar os fatos. Em seguida, acusou Janad de ter destinado recursos ao instituto mencionado.
O deputado Nilton Franco também entrou na discussão. Ele afirmou que Júnior Geo expôs a imagem da Casa ao generalizar acusações. “O senhor mediu todos com a mesma régua”, disse, desafiando o colega a fiscalizar seu gabinete. Nilton ainda relembrou exonerações ocorridas durante a gestão interina de Laurez Moreira e questionou o silêncio de Geo à época.
Na tréplica final, Janad voltou a desafiar Júnior Geo a apresentar provas. “Mostre um único comprovante de pagamento para o instituto e eu renuncio ao meu mandato”, afirmou.
O episódio escancarou o clima de tensão no plenário e deve ter desdobramentos fora da tribuna, com possíveis apurações por parte dos órgãos de controle.