Moradores da região central do Tocantins voltaram a cobrar do poder público o retorno da balsa que realizava a travessia do Rio Perdido, considerada estratégica para a integração entre os municípios de Rio Sono, Centenário e Recursolândia. A estrutura foi instalada em 1996, retirada para reforma em 2000 e nunca mais voltou a operar.
No último domingo (15), centenas de pessoas participaram de uma mobilização popular para discutir a retomada do serviço e chamar a atenção das autoridades para os impactos da ausência da balsa. O encontro contou com a presença da prefeita de Rio Sono, Valdeia Martins, e do ex-presidente da Câmara de Lizarda, Antônio Nasário de Castro.
Durante a mobilização, a prefeita informou que encaminhou, no dia 9 de fevereiro, um ofício ao presidente da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura do Tocantins, Túlio Parreira Labre, solicitando formalmente o retorno da balsa e a disponibilização de três servidores para atuar na operação da travessia.
No documento, a gestora destaca que o serviço é essencial para garantir a mobilidade da população, o escoamento da produção rural, o acesso a serviços públicos e a segurança dos usuários. Em manifestação anterior, a Ageto havia informado que não existia solicitação formal dos municípios para a retomada da balsa.
Sem a travessia, moradores de Centenário e Recursolândia que precisam se deslocar até Palmas são obrigados a percorrer um longo trajeto passando por Santa Maria do Tocantins, Bom Jesus do Tocantins, Pedro Afonso e Guaraí, seguindo pela BR-153 até Miranorte e, posteriormente, por Miracema do Tocantins e Lajeado até a capital. Segundo os moradores, o percurso representa mais de 300 quilômetros adicionais.
No sentido inverso, moradores de Rio Sono também enfrentam dificuldades para acessar Centenário e Recursolândia. Aproximadamente 150 famílias que vivem nas proximidades do Rio Perdido realizam travessias improvisadas em canoas, transportando motocicletas, bicicletas e produtos agrícolas.
“Tem família dos dois lados do rio. A gente passa de canoa, com risco, levando produção, moto, bicicleta, porque não tem mais a balsa”, relatou o morador Bira Matos.
A população espera que, após mais de duas décadas, a reivindicação seja finalmente atendida, encerrando um impasse que afeta diretamente a rotina, a economia e a segurança de quem depende da travessia.