O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, deputado estadual Amélio Cayres (Republicanos), afirmou que a consolidação de sua pré-candidatura ao Governo do Estado em 2026 passa, necessariamente, pela liderança de um partido político. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Tribuna do Povo, da Rádio Nova FM, em Gurupi.
Segundo o parlamentar, a disputa pelo Palácio Araguaia exige autonomia política e estrutura partidária sólida. Por isso, ele avalia que não faria sentido apresentar um projeto de governo sem ter sob sua condução uma sigla capaz de sustentar politicamente a candidatura.
Durante a entrevista, Cayres revelou que já existe um movimento de apoio dentro da própria Assembleia Legislativa em torno de seu nome. De acordo com ele, antes mesmo do episódio de afastamento temporário do governador Wanderlei Barbosa, cerca de 19 deputados estaduais participaram de uma reunião e manifestaram apoio à possibilidade de sua candidatura ao governo.
O presidente da Aleto ponderou, entretanto, que o cenário político ainda passa por reorganizações naturais do período pré-eleitoral, especialmente em razão da formação das chapas proporcionais e das definições partidárias que devem ocorrer nos próximos meses.
Embora admita a possibilidade de mudança partidária, Amélio Cayres disse que sua preferência é continuar no Republicanos, partido que hoje reúne uma das maiores estruturas políticas do Tocantins, com dezenas de prefeitos e centenas de vereadores filiados.
Ainda assim, o deputado deixou claro que sua pré-candidatura não depende exclusivamente dessa permanência. Segundo ele, outras legendas já demonstraram interesse em abrigar o projeto político, entre elas Solidariedade, PSB e MDB.
Cayres também comentou rumores de bastidores que apontavam a existência de um prazo para que o governador Wanderlei Barbosa definisse se repassaria a ele o comando estadual do Republicanos.
O parlamentar negou qualquer tipo de ultimato e afirmou que sua relação com o governador é marcada pelo diálogo institucional e pela parceria política. Para ele, a interpretação pode ter surgido em razão da proximidade da janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de legenda sem perder o mandato.
Mesmo assim, destacou que não existe pressa para a definição e que o calendário político ainda permite tempo para amadurecer as conversas.
A corrida pela sucessão estadual dentro do campo governista já conta com outros nomes colocados. Entre eles está a senadora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil), que também busca se viabilizar como candidata ao governo.
Na avaliação de Cayres, a presença de mais de um pré-candidato no grupo não representa conflito, mas sim parte natural do processo político. Ele destacou que cada liderança tem legitimidade para apresentar seu projeto e buscar apoio.
O presidente da Assembleia observou que Dorinha já tem apresentado publicamente uma estrutura de chapa praticamente definida, com os nomes dos senadores Eduardo Gomes (PL) e Carlos Gaguim (União Brasil) como parte da composição política.
Já o grupo político que se articula em torno de sua candidatura, segundo Cayres, ainda está em fase de construção. Ele citou, porém, que o deputado federal Alexandre Guimarães aparece como um dos nomes considerados para disputar uma vaga ao Senado em sua possível chapa.
Natural da região do Bico do Papagaio, no extremo norte do Tocantins, Amélio Cayres reconhece que sua estratégia eleitoral exigirá ampliar a presença política em outras regiões do Estado, especialmente no sul.
Para isso, ele afirmou que pretende intensificar agendas nos municípios, dialogando com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, além de ouvir a população para a elaboração de um projeto de governo com alcance estadual.
Embora reafirme o desejo de disputar o governo, Cayres afirmou que a política exige diálogo constante e capacidade de construção coletiva. Segundo ele, o cenário eleitoral ainda está em formação e novas composições podem surgir ao longo do processo.
“O nosso interesse é disputar o governo, mas política é diálogo permanente. As conversas continuam e não existe porta fechada”, afirmou.