Em Colinas, vereador cobra pagamento de emenda, acusa prefeito de perseguição e prefeito reage: “Não tenho nada contra os evangélicos, tenho contra você”

Marcus Júnior Guimarães (Republicanos) cobrou na tribuna, na sessão de ontem à noite, a liberação de recurso para o Adora Colinas e falou em perseguição política e religiosa; Kasarin (UB) respondeu hoje em vídeo nas redes sociais, negou ataque aos evangélicos e partiu para o confronto pessoal

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Vereador Marcus Júnior Guimarães e Prefeito Kasarin

A cobrança feita pelo vereador Marcus Júnior Guimarães (Republicanos), na tribuna da Câmara Municipal de Colinas do Tocantins, na noite de ontem, e a resposta divulgada hoje pelo prefeito Kasarin (UB), em vídeo publicado nas redes sociais, escancararam mais um choque político entre o Legislativo e o Executivo no município. No centro da discussão está o não pagamento, segundo o vereador, de uma emenda impositiva destinada à realização do Adora Colinas, evento ligado ao Dia do Jovem Cristão.

 

Ao iniciar o pronunciamento, Marcus Júnior afirmou que subia à tribuna para tratar de “um assunto que considero muito sério”, referindo-se ao “não cumprimento de uma emenda impositiva destinada a um evento de jovens cristãos em nosso município”. Na fala, ele lembrou que as emendas impositivas “não são favores do Executivo”, mas “instrumentos legais previstos na Constituição Federal do Brasil que garantem aos vereadores a participação na destinação de recursos do orçamento público”.

 

Segundo o parlamentar, quando a Câmara aprovou o orçamento, também aprovou recursos para ações consideradas importantes para a cidade, entre elas o evento voltado à juventude cristã. Ele destacou que se trata de uma iniciativa que “promove valores, fé, esperança e união”, reunindo jovens, famílias e igrejas “em um único propósito, adorar a Deus”, além de fortalecer princípios que, segundo ele, fazem bem à sociedade.

 

Marcus Júnior afirmou que o problema não está apenas na demora, mas no efeito prático da não liberação do recurso antes da data prevista. “O que não podemos aceitar é que um recurso destinado a um evento com data definida simplesmente não seja liberado a tempo de cumprir sua finalidade”, disse. Em seguida, acrescentou: “quando um recurso para um evento não é liberado antes da sua realização, na prática, o que acontece é o esvaziamento da própria emenda”.

 

O vereador também sustentou que, caso haja impedimento técnico ou fiscal, a Prefeitura deveria apresentar isso formalmente. “Se houver algum impedimento técnico, que seja apresentado de forma clara e transparente”, afirmou, citando as normas de responsabilidade fiscal. Na mesma linha, defendeu que “não é gasto, é investimento na sociedade”, ao tratar do apoio a eventos religiosos voltados à juventude.

 

Ao reforçar a dimensão social do evento, Marcus Júnior declarou que ações desse tipo “tiram o jovem das drogas, da violência e do caminho errado” e levam “esperança, fé e transformação”. Depois, deixou a crítica mais direta. Disse que encaminhou ofício ao gabinete do prefeito no dia 3 de março, com recebimento protocolado, mas que até agora não houve resposta. “O evento está para acontecer e não foi destinado. Por simples perseguição política, porque eu não bajulo ele, porque eu não ando do lado dele”, afirmou.

 

Na parte mais dura do discurso, o vereador se dirigiu diretamente ao prefeito. “Deixe de perseguição, pague aquilo, faz o que é correto”, disse. Em outro trecho, afirmou: “Tem uma perseguição contra o povo de Deus aqui nessa cidade de Colinas. Tem uma perseguição contra os evangélicos em Colinas do Tocantins”. Também reclamou que o município realiza diferentes festas, mas, segundo ele, quando um vereador evangélico destina emenda para um evento evangélico, o recurso não é pago.

 

Marcus Júnior encerrou a fala dizendo que sua indignação estava no fato de a emenda não ter sido liberada para “um evento que já está marcado, com data marcada”, enquanto o prefeito, segundo ele, “fica embirrando, perseguindo e não paga a emenda impositiva”.

A resposta do prefeito veio hoje, em vídeo divulgado nas redes sociais. Logo no início, Kasarin afirmou que decidiu se manifestar depois de “tanta provocação” e acusou o vereador de agir com “muita difamação de forma injusta”. O prefeito negou perseguição religiosa e disse: “Quero falar pra ti, falar pra população de Colinas, que eu não tenho nada, nada contra os evangélicos e nada contra o cristão”.

 

Na sequência, porém, deslocou a resposta para o campo pessoal e político. Dirigindo-se ao vereador, afirmou: “Eu tenho sim, eu tenho sim contra você”. Ao longo do vídeo, Kasarin chamou Marcus Júnior de “ingrato”, “mal agradecido”, “trairão”, “covarde” e “difamador”, em um tom de confronto aberto.

 

O prefeito também alegou ter ajudado o vereador no período eleitoral. Segundo ele, “eu te arrumei mais de 50 votos” e Marcus Júnior “se elegeu somente por dois votos”. Em outro momento, disse: “não fossem os votos que o prefeito Azulão te deu, tu não tava lá naquela tribuna”.

 

Kasarin ainda acusou o parlamentar de traição política e religiosa. Disse que ele e outros usaram “o prestígio do Azulão pra chegarem aonde chegaram e depois viraram as costas pra nossa gestão”. Também afirmou: “Você tinha compromisso com a sua igreja, com o seu pastor. E até a sua igreja você conseguiu trair”.

 

No trecho final do vídeo, o prefeito manteve o ataque pessoal, afirmou que o vereador deveria pensar melhor “antes de subir à tribuna” para falar da gestão e citou a popularidade do governo ao declarar que o “prefeito Azulão tem 90% de aprovação” e que o comportamento do parlamentar “só dá rejeição”.

 

Apesar do barulho político, a questão principal segue sem resposta objetiva. O vereador cobra o pagamento de uma emenda impositiva destinada a um evento já marcado e afirma que não recebeu retorno formal da Prefeitura. O prefeito, embora tenha negado perseguição a evangélicos e cristãos, não esclareceu no vídeo se a emenda será paga, por que não foi executada até agora ou se existe algum impedimento técnico, jurídico ou orçamentário para isso.

 

No fim das contas, o episódio revela duas frentes de conflito. A primeira é administrativa: saber se a emenda destinada ao Adora Colinas será executada. A segunda é política: o desgaste entre vereador e prefeito já ultrapassou o limite do debate institucional e passou a ser travado em público, entre a tribuna da Câmara e as redes sociais. Enquanto a discussão se arrasta no terreno da acusação e da resposta em tom pessoal, a cidade segue sem uma explicação oficial sobre o destino do recurso.