A sessão ordinária da Câmara Municipal de Colinas do Tocantins, realizada na noite de segunda-feira, 23, foi marcada por um embate político em torno da realização do evento gospel ligado ao Dia do Jovem Cristão. O tema dominou o grande expediente da Casa e expôs versões divergentes entre parlamentares sobre a origem dos recursos, a condução das articulações e a postura adotada pela gestão municipal diante da demanda apresentada.
O primeiro a abordar o assunto na tribuna foi o vereador Marcos Júnior Guimarães (Republicanos). Em seu pronunciamento, ele afirmou que o evento será realizado mesmo sem apoio financeiro da Prefeitura e disse ter buscado alternativas fora do município para viabilizar a programação. Também fez críticas diretas ao prefeito Kasarin, a quem acusou de não executar sua emenda impositiva por razões pessoais. Segundo o parlamentar, a negativa da gestão não estaria ligada à impossibilidade administrativa, mas a uma decisão política. Marcos Júnior Guimarães também questionou a proposta de apoio de R$ 100 mil apresentada no debate, afirmando que o valor nunca chegou a ser efetivamente liberado.
Na sequência, a vereadora Dayhany Mota (UB) rebateu a versão apresentada e sustentou que houve, sim, uma construção para tentar viabilizar o evento. Segundo ela, o responsável pela organização procurou vereadores ligados à comunidade evangélica para pedir apoio, informando que havia uma emenda de R$ 50 mil, mas que o valor seria insuficiente diante do orçamento estimado em R$ 75,2 mil. Dayhany relatou que, após articulações com parlamentares da base e integrantes da gestão, o prefeito teria concordado em ampliar o apoio para R$ 100 mil, incluindo a valorização de cantores locais, com rateio por meio de emendas de vereadores aliados.
Ainda segundo a vereadora, a proposta chegou a ser apresentada ao organizador do evento, que, em um primeiro momento, teria concordado com o encaminhamento. Depois, no entanto, houve mudança de posição, o que impediu a formalização da medida. Dayhany afirmou que seu posicionamento não era contrário ao evento, mas em defesa da verdade dos fatos e do respeito ao que, segundo ela, foi efetivamente construído nos bastidores.
A vereadora Naiara Miranda (MDB) se posicionou em defesa de Marcos Júnior Guimarães. Embora tenha reconhecido o esforço de Dayhany Mota nas tratativas, afirmou que o centro da discussão não estava na tentativa de solução entre os vereadores, mas na conduta da gestão municipal. Para Naiara, houve tratamento desigual entre parlamentares da base e da oposição. Ela também contestou a argumentação de que havia obstáculo para executar a emenda do colega e afirmou que Marcos não recusou apoio para o evento, mas discordou da forma como a proposta foi conduzida.
O clima ficou mais tenso durante o debate, com interrupções e manifestações no plenário, o que levou o presidente da Câmara, Augusto Agra, a intervir para restabelecer a ordem e lembrar as regras regimentais da Casa. O episódio mostrou que a discussão sobre o evento religioso ultrapassou o campo administrativo e se transformou em mais um ponto de atrito entre base e oposição no Legislativo municipal.
No centro da controvérsia, ficaram duas leituras distintas sobre o mesmo episódio. De um lado, Marcos Júnior Guimarães sustenta que houve resistência da Prefeitura em executar uma emenda já direcionada ao evento e que a alternativa anunciada não passou da promessa. De outro, Dayhany Mota afirma que uma solução foi construída, aceita inicialmente e abandonada depois. Entre as duas versões, o que era para ser apenas a organização de um evento voltado à comunidade cristã acabou se convertendo em disputa política aberta na tribuna da Câmara.