O prefeito de Colinas do Tocantins, Kasarin (UB), usou as redes sociais na manhã desta quarta-feira para responder ao vereador Marcos Júnior Guimarães (Republicanos) e acabou levando o confronto político para um nível ainda mais duro. No vídeo, o prefeito nega qualquer perseguição aos evangélicos, diz ter gratidão pelo segmento religioso, mas dirige uma sequência de ataques pessoais ao parlamentar, a quem chama de “ingrato”, “trairão”, “mentiroso”, “cara de pau” e “covarde”.
A gravação foi publicada nesta quarta-feira depois da cobrança feita por Marcos Júnior na tribuna da Câmara, na noite de segunda-feira, quando o vereador acusou a Prefeitura de não pagar uma emenda impositiva destinada ao Adora Colinas, evento ligado ao Dia do Jovem Cristão. Ao responder, Kasarin tenta desmontar a acusação de perseguição religiosa, mas troca a explicação institucional pelo embate direto, pessoal e político.
Logo no início do vídeo, o prefeito afirma que viu a fala do vereador e acusa Marcos Júnior de tentar jogá-lo contra os evangélicos da cidade. Diz que tem “imensa gratidão” e “imensa consideração” pelo povo evangélico e chega a pedir perdão pelas declarações feitas pelo parlamentar. A partir daí, porém, o discurso sai do campo administrativo e mergulha num acerto de contas público.
Kasarin afirma que Marcos Júnior mudou depois da eleição. Segundo ele, antes do pleito o vereador era “humilde, simples, tranquilo”, mas, depois de eleito, teria se tornado “valente, arrogante” e “prepotente”. Na sequência, reforça que o parlamentar só chegou à Câmara por causa do apoio do grupo político ligado à gestão e resume isso em uma frase de forte peso político: “quem te elegeu foi o Azulão”.
O prefeito também tenta rebater a acusação de descaso com os evangélicos citando repasses já feitos ao segmento. Segundo ele, no ano passado foram destinados R$ 100 mil e, neste ano, mais R$ 100 mil, a pedido de outros vereadores. Mas é justamente ao falar da emenda de Marcos Júnior que o vídeo ganha o trecho mais grave politicamente. Kasarin declara que o recurso “vai ser pago”, mas completa: “quando puder e quando o prefeito quiser”.
A frase expõe o núcleo do problema. Em vez de apresentar uma justificativa técnica, legal ou orçamentária para o não pagamento da emenda, o prefeito associa a liberação do recurso à própria vontade política. E vai além: afirma que, pela “falta de compromisso com a gestão”, o vereador “nem merece” a liberação. É aí que a disputa deixa de ser apenas uma briga verbal e passa a levantar um debate mais sério sobre a relação entre interesse público, emenda parlamentar e conveniência política.
No mesmo vídeo, Kasarin também reage à crítica de que só frequenta igrejas evangélicas em período eleitoral. Diz que é católico, mas que respeita e admira os evangélicos, e afirma que esteve em igrejas a convite de lideranças religiosas, como os pastores Adalberto e Jurandir. O prefeito tenta, assim, preservar sua relação com o segmento religioso, ao mesmo tempo em que concentra toda a carga da resposta sobre o vereador.
Mas o vídeo não para aí. Kasarin amplia o ataque e acusa Marcos Júnior de incoerência, ingratidão e traição. Afirma que, antes da eleição, o vereador o elogiava, o chamava de melhor prefeito da história de Colinas e até teria retirado um chapéu do lixo em demonstração de apoio. Também diz que o parlamentar criticou a vereadora Daiane, chamando-a de “puxa-saco”, “baba-ovo” e “bajuladora do prefeito”.
O tom é de rompimento total. Não há tentativa de pacificação, nem sinal de resposta institucional. O que se vê é um prefeito em confronto aberto com um vereador, usando as redes sociais para expor mágoas políticas, cobrar lealdade e desqualificar publicamente o adversário.
No centro da crise, continua uma pergunta simples que interessa mais à cidade do que o troca-troca de ofensas: a emenda para o Adora Colinas será paga dentro do prazo necessário ou não? Até agora, o que veio do prefeito não foi uma resposta técnica. Foi um recado político.
E esse recado foi claro: Kasarin não apenas negou perseguição aos evangélicos, como tentou se blindar desse desgaste. Mas, ao afirmar que a emenda será paga “quando o prefeito quiser”, acabou entregando à própria fala aquilo que mais precisava evitar: a impressão de que um recurso público está sendo arrastado para dentro de uma disputa pessoal.