Amélio acerta ida ao MDB e deve ser vice de Vicentinho em chapa que já reserva Senado para Alexandre Guimarães

Articulação fechada nos bastidores em Palmas redesenha o bloco de oposição ao governo e pode pressionar o espaço político hoje disputado por Laurez Moreira

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O presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins, Amélio Cayres (Republicanos), está prestes a deixar o partido e se filiar ao MDB, num movimento que o coloca como virtual candidato a vice-governador na chapa do deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) para a eleição de 2026. A composição, segundo informações de bastidores, foi fechada na noite de sexta-feira, 27, em Palmas, e deve ser anunciada publicamente nos próximos dias.

Pelo desenho que avançou nas últimas horas, Amélio assumiria a vaga de vice, enquanto o deputado federal Alexandre Guimarães (MDB) ficaria com uma das duas candidaturas ao Senado. A outra vaga majoritária está reservada ao segmento evangélico, e o nome mais cotado neste momento é o do ex-deputado federal Amarildo Martins.

A articulação, se confirmada, representa um movimento de peso no tabuleiro político tocantinense. Amélio não é apenas um nome de expressão regional. Como presidente da Assembleia e peça influente na engrenagem política do Estado, sua saída do Republicanos e entrada no MDB sinalizam uma mudança de posição com potencial para alterar alianças e reposicionar forças para a disputa do Palácio Araguaia.

Nos bastidores, a avaliação é de que a composição foi tratada com discrição justamente para evitar ruídos antes da oficialização. As conversas envolveram, além de Amélio, o próprio Vicentinho Júnior e aliados próximos do grupo que tenta consolidar uma alternativa robusta para enfrentar os demais blocos que já se movimentam para 2026.

Outro ponto que chama atenção é que Amélio deve fazer a migração partidária ao lado do filho, Raul Cayres, aproveitando a janela partidária, que se encerra na próxima sexta-feira, 3 de abril. O prazo apertado impõe pressa às tratativas e ajuda a explicar a aceleração das definições.

A segunda vaga ao Senado, ainda em fase final de acomodação, é tratada como estratégica por envolver o campo evangélico, segmento que vem sendo observado com atenção redobrada pelas principais pré-campanhas. A eventual entrada de Amarildo Martins na chapa reforçaria esse diálogo e ampliaria o alcance político do grupo em áreas onde a pauta religiosa tem peso eleitoral real.

Também circula nos bastidores a possibilidade de uma aproximação do deputado federal Filipe Martins com o PSDB, o que fortaleceria ainda mais essa ponte com o eleitorado evangélico. Embora esse movimento ainda não esteja sacramentado, ele é visto como parte do mesmo esforço de montagem de uma chapa competitiva, com densidade política, capilaridade e discurso alinhado.

Se a composição for mesmo confirmada, o impacto não ficará restrito ao eixo MDB-PSDB. A nova aliança pode esvaziar espaços hoje disputados pelo vice-governador Laurez Moreira e por grupos ligados a siglas como PSD, PSB e PDT, sobretudo no campo da oposição e entre lideranças que ainda observam o cenário antes de definir posicionamento.

No fundo, o que se vê é o início de uma fase mais objetiva da sucessão estadual. As pré-candidaturas deixam de ser apenas intenção e passam a ganhar forma, estrutura e palanque. Com Amélio na vice, Alexandre Guimarães no Senado e a segunda vaga sendo costurada junto ao segmento evangélico, Vicentinho Júnior avança na montagem de uma chapa que pode embaralhar o jogo político de 2026 no Tocantins.


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