Gaguim evita rebater especulações, reafirma pré-candidatura ao Senado e diz ter apoio da direção nacional do UB

Deputado afirma manter alinhamento com Dorinha Seabra e sinaliza que definições da chapa majoritária ainda dependem dos movimentos até o início de abril

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O deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) afirmou nesta segunda-feira, 30, que mantém sua pré-candidatura ao Senado e conta com respaldo da direção nacional do partido, em meio às especulações sobre um possível recuo na disputa. Sem querer aprofundar o tema, o parlamentar preferiu adotar tom cauteloso, mas deixou claro que não se considera fora do jogo.

Em conversa com o Jornal Opção Tocantins, Gaguim evitou comentar diretamente os rumores, mas fez questão de ressaltar que tem apoio do comando nacional do União Brasil, presidido por Antonio Rueda. “Estão preocupados demais com a minha candidatura”, declarou, ao comentar o ambiente político.

O deputado também reforçou sua parceria com a senadora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil), pré-candidata ao governo do Tocantins, e lembrou que o alinhamento entre ambos vem desde 2022. A fala funciona, na prática, como um recado ao grupo aliado e aos adversários: Gaguim segue dentro da construção majoritária encabeçada por Dorinha e não dá sinais, ao menos publicamente, de que pretende abrir mão da disputa.

Apesar disso, o próprio parlamentar reconheceu que o cenário ainda não está fechado. Sem cravar qualquer definição, afirmou que “muita coisa vai acontecer” até o dia 4 de abril, data limite para desincompatibilização. Na véspera, também se encerra a janela partidária, o que torna os próximos dias decisivos para a montagem definitiva das chapas.

O prazo também pressiona outra peça importante do tabuleiro: o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que terá de decidir se deixa ou não o cargo para disputar o Senado. Até aqui, Wanderlei tem repetido que pretende permanecer no comando do Executivo até o fim do mandato, mas sua decisão segue sendo acompanhada com atenção por aliados e adversários.

Hoje, Gaguim é um dos nomes colocados para o Senado dentro da base liderada por Dorinha. A outra vaga no grupo é ocupada pelo senador Eduardo Gomes (PL), que deve disputar a reeleição. Com isso, a principal indefinição na chapa majoritária estaria concentrada na vaga de vice-governador, espaço que, nos bastidores, vem sendo atribuído ao Republicanos.

A aliança em torno da senadora reúne União Brasil, PP, PL, Podemos, Republicanos, PRD e Solidariedade. Nesse arranjo, o Republicanos, mesmo sem candidatura própria ao governo, tenta preservar peso político na composição e manter protagonismo na definição dos espaços mais estratégicos.

As especulações em torno da chapa abriram duas leituras no meio político. A primeira aponta para uma pressão do Republicanos por maior espaço na majoritária. A segunda envolve a busca por um nome do Bico do Papagaio, região de forte peso eleitoral e simbólico no debate sucessório.

É nesse ponto que surge o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres. Com base consolidada no Bico, Amélio vai deixar o Republicanos nesta semana, depois de divergências internas e da falta de espaço nas negociações. O destino dele será o MDB, partido que deve se alinhar ao grupo do deputado federal Vicentinho Júnior, pré-candidato ao governo pelo PSDB.

Nos bastidores, essa composição alternativa já começa a ganhar desenho: Vicentinho ao governo, Amélio na vice e Alexandre Guimarães, presidente do MDB no Tocantins, em uma das vagas ao Senado. Segundo aliados, a vaga hoje atribuída a Amélio nesse novo arranjo seria justamente a mesma que teria sido oferecida a ele na chapa de Dorinha, mas sem o diálogo político considerado suficiente para consolidar o entendimento.

Interlocutores desse grupo afirmam ainda que também foi cogitada a oferta de uma candidatura avulsa ao Senado para Amélio, sem mexer nas posições de Gaguim e Eduardo Gomes. A proposta, porém, não prosperou.

Com isso, a fala de Gaguim cumpre uma função clara neste momento: segurar terreno em meio à névoa das articulações. Em política, quando muitos começam a dizer que uma candidatura enfraqueceu, quase sempre é sinal de que ela ainda incomoda.