Ao se desfiliar do PSDB, Mantoan acusa direção de desrespeito e violência política contra Cinthia Ribeiro

Deputado estadual anunciou desfiliação “definitiva e irrevogável” e afirmou que decisão foi motivada por fatos recentes no partido, especialmente no Tocantins

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O deputado estadual Eduardo Mantoan anunciou nesta segunda-feira, 30, sua desfiliação do PSDB. Em carta pública, o parlamentar classificou a saída como “definitiva e irrevogável” e afirmou que a decisão foi difícil, mas necessária diante dos últimos acontecimentos dentro da sigla, sobretudo no Tocantins.

Na manifestação, Mantoan disse que ingressou na política movido pela crença na boa política, no valor da palavra e no compromisso com princípios que, segundo ele, deixaram de ser respeitados no ambiente partidário. “Eu entrei na política acreditando em valores, acreditando na boa política, acreditando que a palavra tinha importância. Mas o que aconteceu recentemente ultrapassou qualquer limite”, declarou.

O deputado relembrou sua trajetória construída no PSDB, destacando que sua relação com o partido antecede o exercício do mandato. Segundo ele, antes de se eleger, atuou como advogado da legenda e também como advogado e procurador do ex-governador José Wilson Siqueira Campos, a quem atribui parte importante de sua formação política.

Mantoan também afirmou que, ao longo desse período, contribuiu para o fortalecimento do partido no Tocantins, participando da formação de lideranças e do debate político dentro da sigla. Apesar disso, sustenta que houve uma ruptura entre os valores que o levaram ao PSDB e as práticas recentes adotadas pela direção partidária.

No centro da crise apontada pelo parlamentar está a situação de sua esposa, Cinthia Ribeiro, que presidia o PSDB no Tocantins e também ocupa a presidência nacional do PSDB-Mulher. Na carta, Mantoan criticou a forma como ela foi retirada do comando estadual da legenda e classificou o episódio como um ato de desrespeito e violência política contra a mulher.

“A Cinthia foi eleita pelo povo, uma liderança que sempre lutou pelas mulheres, foi retirada da presidência do PSDB no Tocantins sem diálogo, sem respeito, sem consideração. Isso não é política. Isso é desrespeito. E pior: é violência política contra a mulher, da qual trabalho firmemente no combate”, afirmou.

Ao justificar a saída, o deputado disse que não aceita permanecer em espaços marcados por imposições, ausência de diálogo e desvalorização de lideranças. Em um dos trechos mais duros da carta, afirmou que não compactua com práticas que, em sua avaliação, ferem princípios fundamentais.

“Não compactuo com práticas que ferem princípios. Não permaneço em ambientes onde o respeito é substituído por imposições. Não caminho ao lado de quem ignora a história, desconsidera lideranças e relativiza valores fundamentais. Saio de cabeça erguida, com a consciência tranquila e do lado certo da história. E sigo firme pelo Tocantins, pela boa política e pelo respeito que as mulheres merecem”, escreveu.