Guerra das pesquisas vira vexame e Justiça derruba dois levantamentos no Tocantins

Em menos de 48 horas, a Justiça Eleitoral barrou pesquisas da Veritá e da Lucro Ativo, apontou falhas nos levantamentos e acirrou a disputa política no Tocantins.

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A guerra das pesquisas na pré-campanha ao governo do Tocantins teve, nesta semana, um desfecho constrangedor para dois institutos. Em menos de 48 horas, dois levantamentos de intenção de voto, um do instituto Veritá e outro da Lucro Ativo, foram suspensos pela Justiça Eleitoral após decisões que apontaram falhas documentais, inconsistências metodológicas e problemas considerados graves para a credibilidade dos dados divulgados.

As decisões, tomadas em ações movidas por partidos adversários, jogaram ainda mais desconfiança sobre um cenário que já vinha sendo marcado por disputa de narrativas, uso político de números e embate judicial em torno de pesquisas eleitorais.

No caso da Lucro Ativo, a suspensão foi determinada pela juíza Carolynne Souza de Macêdo Oliveira, após representação do PSDB no Tocantins. Além de proibir a divulgação do levantamento, a magistrada aplicou multa de R$ 53.205,00 ao instituto. Na petição, o partido apontou irregularidades na área de abrangência da pesquisa, ausência de documento obrigatório previsto em resolução do Tribunal Superior Eleitoral, divergências entre o plano amostral e os dados oficiais do TSE, além de incompatibilidade entre o plano amostral e o questionário aplicado.

Ao fundamentar a decisão, a juíza destacou que, embora tenha sido apresentado documento com a identificação e assinatura do estatístico responsável, não houve comprovação da declaração formal de vínculo entre o profissional e a empresa encarregada pela pesquisa, nem do compromisso de manutenção da documentação auditável, como exige a norma eleitoral. Para a magistrada, os vícios comprometem a lisura e a confiabilidade do levantamento.

Já a pesquisa da Veritá foi suspensa por decisão liminar do juiz Roniclay Alves de Morais, em ação apresentada pelo diretório estadual do União Brasil. A principal inconsistência apontada no processo está no próprio cronograma informado pelo instituto à Justiça Eleitoral: o período de coleta das entrevistas constava entre os dias 29 de março e 4 de abril de 2026, mas a divulgação dos resultados estava prevista para 3 de abril, antes do encerramento do trabalho de campo.

Na decisão, o magistrado classificou a situação como um “descumprimento lógico, metodológico e legal”, por prever a publicação oficial de resultados finais antes mesmo do término das entrevistas. Segundo ele, a contradição afronta a exigência de transparência e coerência na metodologia das pesquisas eleitorais.

Além desse ponto, a ação do União Brasil também listou outras irregularidades, como a ausência de declaração formal do estatístico responsável e a falta de detalhamento de dados geográficos da amostra, como bairros e setores censitários. Diante disso, o juiz determinou a suspensão imediata da divulgação da pesquisa por qualquer meio, incluindo imprensa, rádio, televisão, internet e redes sociais, sob pena de multa diária de R$ 15 mil em caso de descumprimento.

A decisão também alcançou a circulação do levantamento nas redes. O magistrado determinou a notificação do Facebook para que, no prazo de 24 horas, removesse publicação que divulgava a pesquisa no perfil do Instagram do pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior, do PSDB.

Após a repercussão, Vicentinho Júnior usou a rede X para afirmar que não é o contratante da pesquisa da Veritá. A manifestação veio depois de a campanha da senadora Professora Dorinha, do União Brasil, dizer que havia conseguido derrubar judicialmente o levantamento. “Não entraremos nessa guerra de pesquisas, nossa pesquisa real foi, é e sempre será as vozes das ruas!”, escreveu o pré-candidato.

As duas decisões expõem o grau de tensionamento que já marca a sucessão estadual antes mesmo do início formal da campanha. Mais do que um embate entre números, o episódio revela uma pré-campanha em que as pesquisas deixaram de ser apenas instrumento de leitura do eleitorado e passaram a ocupar o centro de uma disputa política, jurídica e simbólica.


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