Cinthia fica no PSDB, mas não engole a perda do comando para Vicentinho Jr.

Ex-prefeita de Palmas decide permanecer na sigla após perder a presidência do diretório estadual para Vicentinho Júnior, mantém discurso de enfrentamento e segue no jogo político de 2026.

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A ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, anunciou nesta terça-feira, 14, que permanecerá filiada ao PSDB, mesmo após perder o comando do diretório estadual da legenda para o deputado federal Vicentinho Júnior, pré-candidato ao governo do Tocantins. A decisão, porém, não veio acompanhada de pacificação. Ao contrário: o tom adotado pela ex-gestora deixa claro que ela continuará no partido, mas sem engolir a forma como foi afastada da presidência estadual.

Em material enviado à imprensa, Cinthia afirmou que não é quem sofre injustiça que deve abrir mão do próprio espaço e disse ter escolhido enfrentar o problema de dentro para fora. Segundo ela, havia dois caminhos possíveis após o episódio: sair do partido ou permanecer para disputar internamente o espaço político que entende ter construído ao longo de sua trajetória.

“Não é quem sofre injustiça que deve abrir mão do seu espaço. Minha decisão foi permanecer, enfrentar e resolver a questão de dentro para fora”, afirmou.

A ex-prefeita também reforçou que, na sua visão, política não é lugar de recuo. Disse que muita gente esperava que ela deixasse a legenda ou desistisse da disputa interna, mas sustentou que sua decisão foi guiada por coerência política e disposição para o embate. A fala evidencia que, embora tenha optado por permanecer no PSDB, Cinthia não considera encerrado o mal-estar provocado pela ascensão de Vicentinho ao comando partidário no Estado.

Segundo ela, a permanência na sigla também atende a um pedido de lideranças nacionais tucanas. Cinthia citou o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e Marconi Perillo, que preside o Instituto Teotônio Vilela, como nomes que se mobilizaram para mantê-la no partido e à frente do setor feminino da legenda em nível nacional. Para a ex-prefeita, seguir no PSDB é uma forma de preservar coerência com a trajetória construída na social-democracia.

Durante o período de definição, Cinthia revelou ter recebido convites para migrar para outras siglas. Entre os nomes citados por ela estão José Dirceu, do PT, além dos presidentes nacionais do PSD, Gilberto Kassab; do PSB, João Campos, com quem se reuniu pessoalmente no Recife; do MDB, Baleia Rossi; e do Podemos, Renata Abreu. Mesmo com as investidas, optou por não deixar o ninho tucano.

A decisão mantém Cinthia no centro do jogo político de 2026. A ex-prefeita é cotada para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, mas nos bastidores também há quem veja espaço para uma composição mais ampla, com eventual candidatura ao Senado, a depender do desenho final das alianças no Estado. Ao permanecer no PSDB, ela evita uma saída que poderia enfraquecê-la e preserva margem para disputar protagonismo no tabuleiro eleitoral.

No posicionamento divulgado, Cinthia também procurou atribuir à decisão um significado que vai além da disputa interna do partido. Ao abordar a presença feminina na política, afirmou que permanecer na legenda também representa manter viva a luta de mulheres que abriram caminho antes dela. Disse ainda que agora é sua vez de dar essa contribuição e que a mudança verdadeira acontece de dentro para fora.

A permanência de Cinthia, portanto, não elimina a crise interna no PSDB tocantinense. Em vez disso, prolonga um incômodo que passa a conviver sob o mesmo teto partidário: de um lado, Vicentinho Júnior no comando da legenda e em pré-campanha ao Palácio Araguaia; de outro, uma ex-prefeita com capital político próprio, discurso de enfrentamento e disposição de não sair de cena. No PSDB, Cinthia decidiu ficar. Mas o gesto vem longe de significar rendição.