Gaguim some de atos políticos e alimenta dúvidas sobre espaço na majoritária palaciana
Ausências em sequência, distância de aliados centrais e declarações carregadas de recado colocam o deputado federal no centro das especulações sobre fissuras na chapa governista para 2026.
Nos bastidores da pré-succesão estadual, o deputado federal Carlos Gaguim passou a ocupar um lugar incômodo: o da presença esperada que não se confirma. Em meio às movimentações da base palaciana para 2026, suas ausências em agendas políticas recentes e o tom ambíguo de suas declarações fizeram crescer a leitura de que a chapa governista, embora ainda apresentada como coesa, já convive com sinais visíveis de tensão interna.
O episódio mais eloquente ocorreu no lançamento da pré-candidatura de Fábio Vaz a deputado federal, em Palmeirópolis. No evento, apareceram lado a lado o governador Wanderlei Barbosa, a senadora Dorinha Seabra, apontada como pré-candidata ao governo, o senador Eduardo Gomes, que busca a reeleição, além de outras lideranças do grupo. O que chamou atenção, porém, foi a ausência de Gaguim justamente numa fotografia em que estavam reunidos os nomes centrais da articulação governista. Em política, nem sempre o vazio é ausência casual; muitas vezes, ele é mensagem.
Esse não foi um caso isolado. O relato político que circula aponta que Gaguim também não apareceu em uma confraternização promovida no Dia do Jornalista e tampouco esteve, no mesmo compasso dos demais aliados, em outra agenda relevante, a abertura do Farm Day, em Cariri. Quando surgiu depois, segundo a narrativa apresentada, manteve distância de Eduardo Gomes, mesmo sendo tratado publicamente como “companheiro de chapa”. O gesto, pequeno à primeira vista, ganhou peso no ambiente pré-eleitoral, onde cada enquadramento vale quase tanto quanto uma declaração oficial.
É dessa sucessão de sinais que nasce a suspeita de rachadura. Ainda não se trata de rompimento declarado, nem de saída formal do deputado do campo governista. Mas a repetição de ausências, somada ao esvaziamento visual de seu espaço nas agendas da base, alimenta a impressão de que Gaguim já não ocupa com a mesma segurança a posição que antes parecia reservada dentro da majoritária palaciana. E, em política, quando um aliado relevante deixa de aparecer no centro, logo surge a pergunta sobre quem o empurrou para a margem ou por que ele resolveu se afastar.
As declarações do próprio parlamentar reforçaram esse ambiente de dúvida. Ao ser questionado sobre sua relação com Dorinha e Eduardo Gomes, Gaguim afirmou estar “bem com todo mundo”, disse que segue construindo sua campanha “de baixo para cima” e jogou para o período das convenções a definição sobre alianças. Mas o trecho que mais repercutiu veio em seguida: ao afirmar que estará com quem o quiser ao lado e que, se não for desejado, estará livre para caminhar com outro grupo, o deputado trocou a linguagem da acomodação pela linguagem do aviso.
Na prática, o discurso deixou no ar mais do que uma simples defesa de autonomia. Soou como resposta de quem se sente menos prestigiado numa engrenagem que já não lhe oferece a mesma centralidade. A política, sobretudo a política tocantinense, lê muito nas entrelinhas. E as entrelinhas de Gaguim indicam desconforto, cautela e disposição para não aceitar passivamente um eventual rebaixamento dentro da composição governista.
Outro fator que contribuiu para embaralhar esse cenário foi a entrada de Eli Borges na disputa ao Senado, movimento citado no debate político como mais um elemento de pressão sobre o espaço de Gaguim na majoritária. A partir daí, consolidou-se a percepção de que a base do Palácio segue menos harmoniosa do que parece nos discursos e mais atravessada por disputas silenciosas de posição, influência e prioridade eleitoral.
Por enquanto, o que existe é uma sequência de indícios, não uma ruptura consumada. Mas o problema para o grupo governista é justamente este: na fase em que alianças precisam transmitir firmeza, a sucessão de ausências de Gaguim passou a sugerir o contrário. E quando a suspeita de rachadura começa a ganhar corpo antes mesmo das convenções, o desafio deixa de ser apenas montar a chapa. Passa a ser convencer o eleitor e a própria base de que ela continua de pé.