Sem solução oficial, Jardim Progresso vive nova escalada de tensão em Colinas
Associação de moradores cobra medida concreta da Prefeitura e afirma que indefinição mantém dezenas de famílias sob insegurança e medo de perder as moradias. 6
A ameaça de demolição de cerca de 50 moradias no Jardim Progresso, em Colinas do Tocantins, voltou a mobilizar moradores e a aumentar a pressão sobre a Prefeitura. Em nota pública, a Associação de Moradores do bairro cobrou do prefeito José Batista Ferreira, o Zé Nagru, uma solução definitiva para o impasse e garantias formais para as famílias que vivem sob risco de perder suas casas.
Segundo a entidade, a comunidade permanece sem uma resposta oficial capaz de encerrar a insegurança, apesar de sinalizações anteriores de que as moradias existentes seriam preservadas e de que novas unidades habitacionais poderiam ser construídas. Para os moradores, a falta de providências concretas mantém o bairro em estado de apreensão.
Na nota, a associação afirma que a indefinição tem provocado insegurança, tristeza e desolação entre as famílias, que seguem sob incerteza quanto ao futuro. O documento ressalta ainda que a comunidade não busca confronto, mas cobra do poder público uma posição clara, acompanhada de medidas efetivas.
O caso envolve o loteamento Jardim Novo Progresso, onde decisões judiciais de reintegração de posse colocaram dezenas de imóveis sob risco de demolição. A situação tem mobilizado moradores, lideranças comunitárias, vereadores e representantes jurídicos em busca de uma alternativa que evite a retirada das famílias sem solução habitacional.
Relatos sobre a presença de tratores na área elevaram novamente o clima de tensão no bairro. Para os moradores, qualquer movimentação nesse sentido é vista como sinal de risco iminente. O ambiente no local, segundo a associação, voltou a ser marcado por medo, instabilidade e pressão emocional sobre famílias que construíram suas residências com recursos próprios.
Em manifestação pública anterior, a administração municipal informou que novas ocupações e construções na área estão proibidas por ordem judicial, com previsão de embargo, demolição e multa. O teor desse posicionamento contribuiu para ampliar a apreensão dos moradores, diante da possibilidade de cumprimento das medidas.
O impasse já havia sido debatido em audiência pública na Câmara Municipal, ocasião em que o tema expôs o conflito entre o cumprimento das decisões judiciais e a ausência de alternativas concretas para as famílias atingidas. Naquele momento, a ausência de representantes do Executivo municipal também foi alvo de críticas.
Moradores relatam que investiram tudo o que tinham para erguer as casas onde vivem hoje. Em muitos casos, segundo relatos apresentados em reuniões e manifestações públicas, houve venda de bens, endividamento e anos de esforço para concluir as construções. Por isso, a possibilidade de demolição é tratada pela comunidade como uma ameaça direta à estabilidade e à dignidade das famílias.
A Associação de Moradores sustenta que recebeu a informação de que o prefeito Zé Nagru, acompanhado de equipe técnica, teria sinalizado pela manutenção das cerca de 50 casas e pela construção de outras sete unidades. Até o momento, porém, segundo a entidade, não houve anúncio formal ou medida administrativa definitiva que afaste a insegurança.
A representante dos moradores, Paula Cred, tem reiterado a disposição da comunidade para o diálogo e defendido uma solução imediata para o caso. A cobrança da associação é para que a Prefeitura esclareça oficialmente qual medida será adotada e em que prazo, de modo a dar segurança às famílias envolvidas.
O caso ganhou novo peso político e administrativo com a mudança no comando da Prefeitura de Colinas. Zé Nagru assumiu a gestão após a saída de Josemar Kasarin, que deixou o cargo para disputar as eleições de 2026. Com isso, aumentou a expectativa de que a nova administração apresentasse uma saída concreta para um problema que já se arrasta há meses.
Enquanto isso, uma comissão formada por moradores, vereadores e representantes jurídicos continua tentando intermediar uma solução junto ao poder público. Sem definição oficial, o Jardim Progresso segue convivendo com um cenário de incerteza, em que o medo da demolição ainda faz parte da rotina de dezenas de famílias.