Após mais de duas décadas de disputas judiciais, incertezas e conflitos internos, a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) vive hoje um dos momentos mais emblemáticos de sua história.
O que antes era um cenário de risco iminente, com a possibilidade concreta de perda da lavra mineral, transformou-se em uma reviravolta que reposiciona a cooperativa no caminho da viabilidade econômica e da retomada das atividades.
A virada culminou na homologação de um acordo trabalhista que garantiu mais de R$ 7,4 milhões aos trabalhadores, conforme divulgado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, além de assegurar as condições para a retomada da exploração mineral.
Em vídeo, Deuzita Rodrigues detalha os bastidores da negociação e os caminhos que levaram ao acordo.
O ponto mais crítico da trajetória recente ocorreu em 2024.
Em 27 de novembro daquele ano, a Agência Nacional de Mineração (ANM) se manifestou favoravelmente ao prosseguimento do leilão da lavra, colocando em risco direto o principal — e praticamente único — ativo econômico da cooperativa.
A gravidade da situação é reconhecida pela própria COOMIGASP:
“Após mais de duas décadas de disputas judiciais, conseguimos evitar a perda do nosso maior patrimônio: a lavra mineral da COOMIGASP, que chegou a estar em processo avançado para leilão.”
Diante da iminência da perda, um movimento decisivo mudou o rumo do processo.
No dia 16 de dezembro de 2024, a presidente da cooperativa, Deuzita Rodrigues da Cruz Viana, compareceu à Justiça do Trabalho, sem a presença de advogados, para questionar a regularidade dos atos que encaminhavam a lavra ao leilão.
A atuação teve efeito imediato.
Em 18 de dezembro de 2024, foi proferido despacho favorável ao pedido, possibilitando nova audiência de conciliação e suspendendo o avanço do leilão.
O episódio marcou o início de uma virada histórica:
“Essa realidade começou a mudar a partir de 16 de dezembro de 2024, quando a presidência da cooperativa atuou diretamente perante a Justiça do Trabalho.”
Com o leilão interrompido, abriu-se espaço para negociação.
Em 18 de março de 2025, foi realizada audiência de conciliação que deu início às tratativas trabalhistas. Nesse momento, a COOMIGASP já apresentava uma solução estruturada: a formalização de parceria com a empresa Tectônicas Mineração Ltda., aprovada em assembleia.
A parceria permitiu viabilizar financeiramente o acordo, garantindo condições reais de pagamento das obrigações.
O resultado foi a homologação do acordo judicial que assegurou o pagamento de aproximadamente R$ 7,4 milhões aos trabalhadores, com condições pactuadas e atualização monetária, medida considerada essencial para garantir justiça aos exequentes.
Paralelamente às negociações, a cooperativa enfrentava disputas internas relevantes.
A questão foi levada ao Judiciário, que reconheceu formalmente a legitimidade da presidente Deuzita Rodrigues da Cruz Viana, inclusive com decisão que confirmou sua condição de representante legal e determinou a reintegração da posse da sede da cooperativa.
Esse reconhecimento foi determinante para dar segurança jurídica às decisões e permitir o avanço das negociações.
Com a legitimidade consolidada, o processo avançou para sua fase decisiva.
Em 6 de março de 2026, um novo acordo foi homologado, consolidando a solução construída ao longo das tratativas e abrindo caminho para a retomada da atividade minerária.
Como desdobramento direto, em 9 de abril de 2026, foi expedido ofício à Agência Nacional de Mineração autorizando a operacionalização do empreendimento pela COOMIGASP, em parceria com a Tectônicas Mineração Ltda., sem alteração da titularidade dos direitos minerários.
Para a cooperativa e seus integrantes, o desfecho vai muito além de uma solução judicial.
Representa a preservação de um patrimônio histórico e econômico construído ao longo de décadas — e que sustenta a própria existência da COOMIGASP.
Como destaca o comunicado oficial:
“Essa conquista representa muito mais do que uma decisão judicial. Representa a preservação do nosso patrimônio. Representa o reconhecimento da nossa legitimidade.”
Em meio a todo esse processo, um fator se destaca de forma incontestável: o protagonismo.
A atuação direta da presidente — especialmente em momentos críticos — marcou uma ruptura com anos de inércia processual e ausência de intervenção efetiva.
Primeira mulher a presidir a cooperativa, Deuzita Rodrigues da Cruz Viana assumiu uma posição ativa diante de um cenário adverso e conseguiu não apenas interromper o leilão, mas construir uma solução concreta para um problema histórico.
A história de Serra Pelada sempre foi marcada por luta, expectativa e resistência.
Agora, um novo capítulo começa a ser escrito.
A retomada da possibilidade de exploração mineral abre caminho para geração de renda, fortalecimento institucional e novas oportunidades para os cooperados.
Após anos de incerteza, o cenário volta a ser de perspectiva.
E, como resume a própria cooperativa:
“A luta preservou o que é nosso. Agora começa o trabalho para construir o futuro.”