O padre Aderso Alves dos Santos, sacerdote da Arquidiocese de Palmas, tem chamado atenção nas redes sociais pelo jeito bem-humorado, pelas danças e pela forma descontraída de se comunicar com os fiéis. Conhecido por muitos seguidores como “padre bonitão”, ele soma mais de 34 mil seguidores e costuma iniciar os vídeos com a expressão “maravilha, maravilha”, que se tornou uma marca registrada de suas publicações.
Apesar da repercussão dos vídeos leves e divertidos, o sacerdote afirma que sua rotina vai muito além das redes sociais. Padre Aderso atua como vigário da Paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Palmas, e também desenvolve trabalho de assistência religiosa como capelão hospitalar, acompanhando pacientes e famílias em momentos de dor, fragilidade e despedida.
Segundo ele, o bom humor e a dança são formas de aproximar as pessoas da Igreja. Em entrevista ao g1 Tocantins, o padre afirmou que a descontração pode ajudar fiéis afastados a retomarem o vínculo com a fé. “Se o padre tá dançando comigo, eu posso estar rezando com ele na igreja”, declarou.
Padre Aderso contou que a relação com a dança começou ainda no ambiente familiar e antes mesmo do sacerdócio. Ele afirmou que chegou a atuar como professor de dança, experiência que, segundo o sacerdote, contribuiu para sua maneira espontânea de lidar com o público.
Nas redes sociais, os vídeos mostram o padre dançando, brincando com os seguidores e transmitindo mensagens de acolhimento. Para ele, esse tipo de comunicação humaniza a figura do sacerdote e facilita o diálogo com pessoas que, muitas vezes, enxergam a Igreja de forma distante.
“As pessoas olham pra gente não como um artista, não como um bagunceiro, mas como um ser humano. Antes de ser padre eu sou ser humano, sou homem, sou filho de um homem e de uma mulher”, disse.
O sacerdote também avalia que o comportamento descontraído pode despertar curiosidade e simpatia em pessoas que não frequentam a igreja. “A pessoa pensa: ‘o padre brinca, o padre também é do forró, por que não ele ser meu amigo? Por que não eu ir para a igreja que ele celebra a missa?’”, afirmou.
Além das atividades pastorais, Aderso Alves dos Santos é presidente e fundador do Instituto Quemdiria, organização social que realiza ações de distribuição de cestas básicas e verduras para famílias em situação de vulnerabilidade.
A face alegre das redes, no entanto, convive com uma rotina pesada. Como capelão hospitalar em Palmas, o padre acompanha pacientes em estado grave, incluindo pessoas com câncer em fase terminal. Segundo ele, muitas vezes o trabalho exige presença, escuta, oração e acolhimento em momentos extremos.
“Às vezes chega a morrer na minha mão alguns pacientes, porque estão esperando somente um perdão, um abraço, pra deixar esse mundo”, contou.
Para o padre, a dança e o humor funcionam como uma forma de equilíbrio emocional diante da dureza da rotina hospitalar. “A dança vem como ferramenta pra que a vida se torne mais leve”, afirmou.
Em nota, a Arquidiocese de Palmas afirmou reconhecer as redes sociais como espaços legítimos de evangelização, diálogo e anúncio do Evangelho. A instituição destacou que a comunicação faz parte da missão da Igreja e deve favorecer a proximidade, a escuta e a esperança.
Ao tratar especificamente da atuação de padre Aderso, a Arquidiocese informou que o sacerdote já foi questionado, orientado e, em algumas ocasiões, até proibido de exceder na forma de viver e expor seu sacerdócio. Segundo a nota, o padre “às vezes excede” o ordenamento jurídico-canônico da Igreja, inclusive por influência de seguidores e admiradores.
A Arquidiocese afirmou ainda que acompanha e monitora a situação para que não haja desrespeito à ética e à sensibilidade dos fiéis.
Mesmo em meio às ponderações da instituição, o caso expõe um debate antigo, agora levado ao território das redes sociais: até onde vai a espontaneidade de um sacerdote no ambiente digital e onde começa a exigência de sobriedade própria do ministério religioso. No centro da discussão, padre Aderso segue dividindo opiniões, entre os que veem sua presença virtual como ponte de evangelização e os que cobram maior reserva na exposição pública da vida sacerdotal.