Sem ponte e sem balsa, Araguatins vê comércio travar e cobra resposta do DNIT

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Moradores, comerciantes e lideranças de Araguatins e da região do Bico do Papagaio articulam uma mobilização para cobrar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a liberação imediata do funcionamento de balsas após a interdição total da Ponte Transaraguaia, na BR-230, sobre o Rio Araguaia, entre Tocantins e Pará.

A comissão mobilizadora marcou para esta quarta-feira (20), às 16h30, uma reunião pública na Câmara Municipal de Araguatins. O objetivo é discutir alternativas emergenciais de travessia depois da confirmação de que a ponte precisará ser demolida e reconstruída.

A Ponte Transaraguaia liga Araguatins, no Tocantins, a Palestina do Pará, no Pará, e está interditada desde 17 de abril. Segundo a Prefeitura de Araguatins, o fechamento da estrutura tem provocado isolamento logístico, prejuízos econômicos e impacto direto no fluxo de veículos pesados, estimado em cerca de 1,2 mil caminhões por dia.

De acordo com o coordenador da comissão mobilizadora, Júnior Marzolla, a intenção é reunir moradores de Araguatins, Palestina do Pará, Brejo Grande do Araguaia e cidades vizinhas para definir estratégias de pressão junto ao DNIT.

“Montamos uma comissão para trabalharmos junto ao DNIT para liberar o trânsito das balsas de Araguatins para Palestina e, se possível, liberar até pequenos automóveis por cima da ponte”, afirmou.

Segundo ele, representantes do movimento já conversaram com operadores de balsas e técnicos do órgão federal. A principal cobrança é para que a autorização da travessia ocorra de forma imediata, ainda que o serviço seja pago pelos usuários.

“Essas balsas já estão lá há mais de 40 dias, esperando autorização. O que queremos é que autorize. Nem que seja pago, não tem problema”, declarou.

Comércio relata prejuízos e aumento nos custos

A paralisação da ponte já provoca impactos econômicos na região, principalmente em estabelecimentos localizados às margens da BR-230, tradicional rota de circulação entre Tocantins e Pará.

Para o presidente empossado da Associação Comercial e Industrial de Araguatins (ACIAT), Helton Resplandes, a interrupção total da travessia provocou queda nas vendas e elevou os custos logísticos para empresas da região.

Segundo ele, comerciantes enfrentam dificuldades para entregar mercadorias no Pará. Com a necessidade de rotas alternativas, o percurso pode aumentar entre 100 e 150 quilômetros, tornando o transporte mais caro e, em alguns casos, inviável.

“Temos produtos para entregar do outro lado do rio e o custo fica inviável, porque os desvios chegam a aumentar o percurso entre 100 e 150 quilômetros”, afirmou.

Helton também destacou o impacto sobre consumidores paraenses que costumavam comprar em Araguatins. “O pessoal do Pará que vinha comprar aqui no comércio fica sem opção de travessia”, disse.

Para a ACIAT, a principal reivindicação neste momento é a liberação imediata das balsas para transporte de veículos e caminhões. “Precisamos de uma solução imediata. Mesmo que a travessia seja paga pelos usuários neste primeiro momento, o importante é que as balsas sejam autorizadas para voltar a funcionar”, defendeu.

Prefeitura acionou a Justiça contra União e DNIT

Além da mobilização popular e empresarial, a Prefeitura de Araguatins já ingressou com ação contra a União e o DNIT por causa da interdição da ponte. A gestão municipal denuncia “abandono administrativo” e cobra medidas urgentes para restabelecer a travessia.

O processo tramita na 1ª Vara Federal Cível e Criminal de Araguaína desde o dia 5, mas ainda não houve deliberação.

Em nota, a Prefeitura afirmou que as rotas alternativas apresentadas pelo DNIT são inviáveis e pediu uma solução emergencial imediata para garantir o direito de locomoção e reduzir os danos econômicos à população.

DNIT aponta deterioração estrutural

A interdição total da Ponte Transaraguaia foi adotada pelo DNIT em caráter preventivo, após relatório técnico de avaliação baseado em investigações realizadas entre fevereiro e abril de 2026.

As análises identificaram deterioração elevada em elementos estruturais responsáveis pela sustentação da ponte, especialmente nos blocos de fundação e nos pilares do trecho central, que sustentam o vão principal sobre o canal do Rio Araguaia.

Diante da situação, o DNIT informou que a ponte será reconstruída. A publicação do edital de licitação dos serviços, dentro do Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas (PROARTE), está prevista para 26 de junho de 2026.

O órgão também anunciou, ainda no dia 8, o início dos procedimentos internos para contratação emergencial de balsa, com o objetivo de restabelecer a travessia de forma segura. Apesar disso, lideranças locais cobram que a solução seja colocada em prática imediatamente.

Caso também chegou ao TCU

A situação da Ponte Transaraguaia também foi questionada pelo deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos). O parlamentar apresentou uma proposta de fiscalização e controle ao Tribunal de Contas da União (TCU), solicitando auditoria nos recursos aplicados na estrutura.

Inaugurada em 2010, a ponte custou cerca de R$ 71 milhões. Em 2023, passou por revitalização com investimento superior a R$ 2 milhões. Mesmo assim, a estrutura acabou interditada totalmente em abril deste ano, deixando uma região inteira à espera de uma solução que não pode ficar perdida no tempo lento da burocracia.