Câmara de Miranorte aceita denúncia que pode levar à cassação de vereador acusado de importunação sexual contra servidora

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Câmara de Miranorte aceita denúncia que pode levar à cassação de vereador acusado de importunação sexual
Sessão da Cãmara Municipal de Miranorte

A Câmara Municipal de Miranorte aprovou, por unanimidade, nesta semana, a admissibilidade da denúncia que pode resultar na cassação do mandato do vereador Janiel Monteiro de Carvalho. O parlamentar é acusado de importunação sexual, agressões verbais e ameaças contra uma servidora da própria Casa de Leis durante uma viagem oficial a Brasília.

A votação ocorreu na sessão plenária desta terça-feira, 19, e teve voto favorável de todos os vereadores aptos a participar da deliberação. Janiel estava presente no plenário, mas ficou impedido de votar por ser o denunciado, conforme prevê o Regimento Interno da Câmara. Ele também não se manifestou sobre o caso durante a sessão.

Antes da votação, a presidência da Casa ressaltou que a decisão tratava apenas do recebimento da denúncia e não representava julgamento de mérito nem reconhecimento de culpa.

“Trata-se apenas da decisão de admissibilidade, para instauração ou não da comissão processante”, afirmou a presidente antes de submeter a matéria ao plenário.

Na sequência, os parlamentares foram chamados nominalmente e todos votaram pelo recebimento da denúncia.

Comissão Processante ainda não foi formada

Apesar da aprovação unânime da admissibilidade, a Comissão Processante, etapa seguinte do rito que pode levar à cassação, ainda não foi oficialmente constituída.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara de Miranorte, após o recebimento da denúncia, a comissão deveria ser formada ainda na mesma sessão, por meio de sorteio entre vereadores desimpedidos.

Questionada sobre a não formação imediata da comissão, a Mesa Diretora informou que houve uma “situação procedimental excepcional” envolvendo possíveis impedimentos de parlamentares que participaram da viagem oficial a Brasília e que podem atuar como testemunhas no caso.

Segundo a Câmara, dos nove vereadores da Casa, a presidente não pode integrar a Comissão Processante, o vereador denunciado também fica impedido e há outros parlamentares que podem ser considerados impedidos por terem presenciado os fatos narrados na denúncia.

A Mesa Diretora afirmou que decidiu formalizar previamente os impedimentos para evitar uma eventual nulidade futura no processo.

“A etapa seguinte é a formalização da Comissão Processante, a partir da qual serão iniciados os trabalhos no prazo regimental”, informou a Câmara em nota.

Ainda conforme a presidência, os prazos regimentais serão mantidos.

O que diz o regimento

O processo segue o artigo 46 do Regimento Interno da Câmara de Miranorte, com base no Decreto-Lei nº 201/67, que trata das infrações político-administrativas de prefeitos e vereadores.

Pelas regras da Casa, depois que a denúncia é recebida pelo plenário, a Comissão Processante deve ser formada por três vereadores desimpedidos. Os integrantes, então, elegem entre si o presidente e o relator.

Após a instalação da comissão, o presidente terá prazo de até 48 horas para iniciar os trabalhos e notificar oficialmente o vereador denunciado, com o envio de cópias da denúncia e dos documentos anexados.

A partir da notificação, o parlamentar terá dez dias para apresentar defesa prévia por escrito, indicar provas e arrolar até dez testemunhas.

Depois desse prazo, a Comissão Processante deverá emitir parecer em até cinco dias, opinando pelo prosseguimento ou arquivamento da denúncia. A decisão será submetida novamente ao plenário.

Acusações envolvem viagem oficial a Brasília

A denúncia foi apresentada por uma servidora da Câmara Municipal de Miranorte. Ela afirma ter sido vítima de importunação sexual, agressões verbais e ameaças durante uma viagem institucional da comitiva do Legislativo a Brasília, no fim de abril, para participação na Marcha dos Vereadores do Brasil.

Segundo boletim de ocorrência e documentos obtidos anteriormente pela reportagem, os episódios teriam ocorrido entre os dias 28 e 29 de abril, em um apartamento compartilhado pelos integrantes da comitiva.

A servidora relatou que o vereador teria feito contatos físicos sem consentimento e, depois, iniciado agressões verbais após ser repreendido por outros parlamentares presentes no local.

Ela também declarou que, na manhã seguinte, o vereador teria chutado a porta do banheiro enquanto ela tomava banho e tentado agredi-la fisicamente. Segundo o relato, ele teria sido contido novamente por outros vereadores.

O caso tramita sob segredo de Justiça.

Justiça concedeu medidas protetivas

A Justiça concedeu medidas protetivas em favor da servidora com base na Lei Maria da Penha. Entre as determinações estão a proibição de aproximação da vítima, familiares e testemunhas em distância inferior a 200 metros, além da proibição de qualquer tipo de contato.

A Polícia Civil também pediu o afastamento do vereador do cargo, sob o argumento de risco de constrangimento à vítima. Até o momento, ainda não há decisão judicial sobre esse pedido específico.

Vereador nega as acusações

Em nota divulgada anteriormente, Janiel Monteiro de Carvalho negou as acusações e afirmou ter recebido “com surpresa” a denúncia apresentada pela servidora.

Segundo ele, os fatos “não correspondem à realidade dos acontecimentos” e as acusações são “alegações unilaterais ainda pendentes de apuração definitiva”.

O parlamentar também afirmou confiar na Justiça e defendeu a preservação da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência durante a investigação.


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