A Polícia Civil do Tocantins investiga a morte da aposentada Iraci Borges dos Santos, de 78 anos, ocorrida após uma transfusão de sangue considerada suspeita no Hospital Regional de Augustinópolis, no Bico do Papagaio. A família da paciente denuncia uma possível incompatibilidade sanguínea durante o procedimento realizado na unidade hospitalar.
Iraci era moradora de Sítio Novo do Tocantins e estava internada desde o dia 28 de março para tratamento de pneumonia. Segundo familiares, a idosa apresentava sinais de melhora clínica antes da transfusão, realizada no dia 15 de abril, data em que ela morreu.
De acordo com a família, a paciente teria recebido uma bolsa de sangue supostamente incompatível com seu tipo sanguíneo. A filha da vítima, Iara Borges dos Santos, relatou que fotografou a bolsa usada no procedimento, identificada como tipo A positivo, enquanto Iraci seria do tipo O positivo.
Ainda conforme os familiares, a transfusão teve início por volta do meio-dia e foi interrompida cerca de 15 minutos depois, após suspeita de incompatibilidade. O prontuário médico aponta que aproximadamente 50 ml de sangue teriam sido administrados antes da interrupção do procedimento.
Durante a transfusão, Iraci passou a apresentar calafrios intensos e dores pelo corpo. Segundo a família, o quadro se agravou rapidamente. O registro hospitalar indicou piora clínica por volta das 12h50. A idosa morreu cerca de uma hora depois, por volta das 14h.
No prontuário, a causa do óbito foi apontada como lesão pulmonar aguda associada à transfusão, condição conhecida pela sigla TRALI. No dia seguinte à morte, a família registrou boletim de ocorrência na 13ª Central de Atendimento da Polícia Civil de Augustinópolis, por suspeita de homicídio culposo.
O caso está sendo apurado pela 12ª Delegacia de Polícia Civil de Augustinópolis, que deve analisar documentos médicos e ouvir testemunhas para esclarecer as circunstâncias do atendimento.
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins informou que instaurou procedimento interno para apurar possíveis inconformidades, falhas técnicas ou descumprimento de protocolos durante o atendimento. A pasta afirmou ainda que a rede estadual possui normas e mecanismos de monitoramento para procedimentos transfusionais.
Até o momento, a SES não informou se a apuração interna já identificou indícios de incompatibilidade sanguínea, erro operacional ou falha humana. Também não foi divulgado se algum profissional envolvido no atendimento foi afastado ou se há prazo para conclusão da investigação administrativa.
A morte de Iraci Borges dos Santos expõe uma suspeita grave dentro da rede pública de saúde e deixa uma família à espera de respostas. Caberá agora às investigações apontar se houve erro no procedimento, falha na assistência ou se o óbito decorreu de complicação clínica sem relação direta com incompatibilidade sanguínea.