O Tocantins registrou queda no número de homicídios em 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026. O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que o Estado teve 309 homicídios no ano passado, contra 419 registros em 2023. A redução foi de 26,3%.
A queda também aparece na análise dos últimos cinco anos. De acordo com o estudo, a taxa de homicídios no Tocantins passou de 31,8 mortes por 100 mil habitantes em 2020 para 19,8 em 2024. No comparativo com os cinco anos anteriores, a diminuição foi de 34,4%.
O Atlas da Violência 2026 integra uma edição histórica de 10 anos do levantamento, com dados referentes ao período de 2014 a 2024. O estudo utiliza informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sinan, ambos do Ministério da Saúde, além de aplicar metodologia para estimar homicídios que podem ter ficado fora das estatísticas oficiais.
Um dos principais destaques do Tocantins foi a redução dos homicídios de jovens entre 15 e 29 anos. Em apenas um ano, a taxa caiu 47,3%, passando de 55,6 para 29,3 mortes por 100 mil habitantes. Conforme o levantamento, esse foi o melhor resultado entre os estados brasileiros nessa faixa etária.
Entre os municípios tocantinenses com mais de 100 mil habitantes, Araguaína e Palmas também apresentaram queda nos indicadores de violência. Em 2024, Araguaína registrou 42 homicídios estimados, com taxa de 23,1 por 100 mil habitantes. Já Palmas teve 62 casos estimados, o equivalente a uma taxa de 19,2.
Na capital, a redução foi ainda mais expressiva. Palmas saiu de uma taxa de 37,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2020 para 19,2 em 2024. A queda acumulada no período foi de 44,5%. No último ano da série, a capital tocantinense registrou a maior redução na taxa de homicídios entre todas as capitais do país.
O levantamento também aponta queda nas mortes por armas de fogo no Tocantins. Em 2024, houve redução de 39,6% nesse tipo de ocorrência em comparação ao ano anterior. As armas de fogo foram utilizadas em menos da metade dos assassinatos registrados no Estado, com índice de 49,8%, um dos mais baixos do Brasil.
Apesar da melhora nos indicadores de homicídios, o Atlas chama atenção para o aumento de mortes sem causa definida. Em 2024, foram registrados 53 casos no Tocantins, crescimento de 26,2% nesse tipo de ocorrência. Segundo o estudo, isso pode indicar a existência de aproximadamente 24 homicídios que não foram contabilizados nas estatísticas oficiais como assassinatos.
Na contramão da queda da violência letal, as mortes no trânsito cresceram no Estado. O número de óbitos passou de 457 em 2020 para 611 em 2024, alta de 33,7%. O relatório aponta que o aumento pode estar relacionado à retomada das atividades econômicas após a pandemia e ao crescimento do uso de motocicletas.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins afirmou que os dados demonstram o resultado das políticas adotadas no Estado para reduzir a criminalidade violenta. Segundo a pasta, o Tocantins alcançou a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre os estados das regiões Norte e Nordeste, ficando abaixo da média nacional.