O senador Irajá Silvestre (PSD) anunciou nesta segunda-feira, 8, que decidiu retirar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o recurso que pretendia reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) no processo que questionava a legitimidade da chapa eleita em 2022, composta pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e pelo vice-governador Laurez Moreira (PSD).
A ação, que já havia sido rejeitada pelo TRE em maio de 2024 pelo placar expressivo de seis votos a um, teria seu último capítulo analisado em sessão virtual do TSE entre os dias 12 e 18 deste mês. Com a desistência formalizada pelo senador, o processo deixa de existir na instância superior e o caso é definitivamente encerrado na Justiça Eleitoral.
A mudança de postura não ocorre por acaso. O cenário político que deu origem ao embate judicial já não é o mesmo. Laurez Moreira, antes adversário direto, tornou-se aliado estratégico, assumiu o comando estadual do PSD e passou a figurar oficialmente como pré-candidato do partido ao governo do Tocantins em 2026. O rearranjo de forças redesenhou alianças e esvaziou o conflito que sustentava a ação.
Na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), Irajá acusava a chapa eleita de abuso de poder político, com suposta utilização de servidores públicos em atividades de campanha e uso indevido da estrutura da Secretaria de Comunicação para veiculação de propaganda institucional durante período vedado pela legislação eleitoral. As acusações, no entanto, não prosperaram no julgamento do TRE.
Com a retirada do recurso, consolida-se a decisão que manteve íntegros os mandatos de Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira, encerrando um capítulo judicial que, mais do que jurídico, refletia as tensões políticas de um momento já superado. No xadrez tocantinense, a disputa nos tribunais dá lugar, agora, a um novo arranjo de forças à mesa da política.