Cinco candidatos suspeitos de envolvimento em fraude no concurso da Polícia Militar do Tocantins foram eliminados do certame pela comissão organizadora. Os editais com as exclusões foram publicados no Diário Oficial do Estado e atingem um candidato ao cargo de cadete e outros quatro que disputavam vagas para o quadro de soldado.
A medida ocorre em meio à investigação conduzida pela Polícia Civil sobre um suposto esquema criminoso ligado à primeira fase do concurso, realizada em 15 de junho de 2025. No último dia 18 de março, a operação que apura o caso cumpriu oito mandados de prisão e nove de busca e apreensão. Segundo as investigações, candidatos teriam pago até R$ 50 mil para que outras pessoas realizassem as provas em seus lugares.
De acordo com a apuração, a fraude foi identificada a partir da análise de digitais e assinaturas dos candidatos inscritos e das pessoas que compareceram para fazer o exame. Conforme publicação assinada pelo presidente da comissão do concurso, as eliminações consideram a existência de elementos concretos e idôneos que apontam para a prática de fraude, com uso de documentos falsos e adulteração de dados identificadores para obtenção de vantagem indevida.
Apesar da gravidade do caso, a Polícia Militar do Tocantins sustentou que não houve comprometimento da lisura do certame como um todo. Em nota, a corporação informou que, ao identificar indícios de irregularidades, adotou providências administrativas e institucionais para resguardar a legalidade do processo seletivo e compartilhou as informações com a Polícia Civil para aprofundamento das investigações. A FGV, banca responsável pelo concurso, também afirmou que as suspeitas dizem respeito a condutas individuais, sem impacto sobre o conjunto da seleção.
O delegado responsável pelo caso afirmou ainda que não houve contaminação do concurso nem vazamento de prova ou de questões. A investigação aponta que o esquema utilizava os chamados “pilotos”, pessoas contratadas para fazer as provas no lugar dos candidatos originais. Cinco candidatos são suspeitos de contratar o serviço do grupo criminoso. Outros três homens também são apontados como integrantes do esquema: um agente socioeducativo no Distrito Federal, um policial rodoviário federal lotado em Marabá (PA) e um ex-policial militar da Paraíba.
A Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal informou que acompanha o caso com rigor e que a situação já foi encaminhada à Controladoria Setorial da pasta. Segundo a secretaria, caso o envolvimento do servidor seja formalmente confirmado, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis, com respeito ao devido processo legal. Já a Polícia Rodoviária Federal no Pará afirmou que prestou apoio ao cumprimento de mandados e que acompanha as investigações em curso.
O concurso da PM do Tocantins registrou mais de 34 mil inscrições e oferece 600 vagas para soldados e 60 para aspirantes a oficiais. Os salários variam de R$ 2.881,53 a R$ 10.842,13. A seleção segue em andamento e, até o momento, não houve convocações.