Síndrome Respiratória Aguda Grave dispara no Tocantins e coloca estado em zona de alerta

Estado está entre os 22 com nível elevado de atividade respiratória; rinovírus pressiona internações entre crianças, enquanto influenza A pesa mais entre adultos, idosos e mortes

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O Tocantins entrou na zona de alerta da Síndrome Respiratória Aguda Grave em meio ao avanço simultâneo de vírus respiratórios no país. O novo boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, mostra que todas as unidades da federação apresentam crescimento dos casos na tendência de longo prazo, observada nas últimas seis semanas. Entre elas, 22 já estão em nível de atividade classificado como alerta, risco ou alto risco, e o Tocantins está nesse grupo. O retrato é claro: a pressão sobre a saúde respiratória já começou antes do pico tradicional do período mais frio.

No cenário nacional, o aumento não é pontual nem isolado. O Brasil já soma 24.281 casos de SRAG em 2026, com sinal de alta tanto no curto quanto no longo prazo. Desse total, 38,9% tiveram confirmação laboratorial para vírus respiratórios. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o rinovírus respondeu por 45% dos casos positivos, seguido pela influenza A, com 27,8%, pelo vírus sincicial respiratório, com 14,6%, e pela Covid-19, com 9,1%. A multiplicação desses agentes ao mesmo tempo ajuda a explicar o avanço das internações graves em várias faixas etárias.

O boletim mostra que o peso da doença muda conforme a idade. Entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, o rinovírus é o principal motor do crescimento das hospitalizações. Já entre jovens, adultos e idosos, a influenza A assume a dianteira. Nas crianças menores de 2 anos, o vírus sincicial respiratório também segue empurrando os casos para cima. Em outras palavras, a SRAG já se espalha por toda a pirâmide etária, mas atinge com mais força as pontas mais frágeis: os pequenos e os mais velhos.

É justamente aí que o quadro se torna mais grave. A incidência é mais alta nas crianças pequenas, especialmente associada ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade, porém, pesa mais sobre os idosos, tendo a Covid-19 e a influenza A como principais causas. Nas últimas quatro semanas, a influenza A respondeu por 35,9% dos óbitos positivos por vírus respiratórios, seguida pela Covid-19, com 29,1%, e pelo rinovírus, com 27,2%. Quando o número sobe cedo demais, como agora, o recado costuma ser o mesmo: o sistema precisa correr antes que a curva cobre seu preço em leitos e vidas.

No recorte das capitais, Palmas também aparece entre as cidades listadas pelo boletim com nível de atividade em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. A Fiocruz recomenda que os dados sejam lidos em conjunto com outros indicadores, como ocupação de leitos, e lembra que semanas mais recentes ainda podem sofrer ajustes por atraso de digitação das notificações. Ainda assim, o sinal geral é inequívoco: o país já entrou em uma fase de agravamento da circulação respiratória, e o Tocantins não está à margem desse avanço.


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