O excesso de chuvas registrado neste ano tem provocado prejuízos à produção de soja na região do Médio Araguaia, no Tocantins. Em Couto Magalhães, produtores relatam dificuldades para retirar a safra do campo, perda de qualidade dos grãos e redução da produtividade, num cenário que ameaça o equilíbrio financeiro das propriedades em meio a custos elevados e margens de lucro apertadas.
A situação tem sido descrita pelos agricultores como uma das mais difíceis da atual safra. Parte das áreas ainda permanece sem colheita por causa das chuvas intensas e frequentes, sobretudo nas regiões mais baixas das lavouras, onde o excesso de umidade comprometeu diretamente a produção.
O agricultor Alex Fonseca relatou que os danos já são visíveis no campo e atingem em cheio a renda dos produtores. Segundo ele, a safra já vinha sendo desafiadora, com margem de lucro estreita, e o clima acabou agravando ainda mais o cenário durante o período da colheita.
“Estamos num momento difícil para nós produtores relatarmos. É uma situação de perda de produtividade aqui na região de Couto. A gente vem de uma safra muito difícil, de margem de lucro muito apertada, e o clima infelizmente não foi muito favorável para nós no período de colheita. Veio chuva muito forte, numa sequência muito grande, e não deu condição de colher nossa soja”, afirmou.
De acordo com o produtor, apenas parte da safra pôde ser retirada, principalmente nas áreas mais altas. Nas partes mais baixas, porém, a soja acabou comprometida. “A soja foi perdida. Acabou que avariou, perdeu a qualidade do grão e a gente não consegue vender essa produção. Está aqui a lavoura para colher ainda, com a soja estragada e um prejuízo enorme para nós, que temos contas altas a pagar este ano”, desabafou.
Outro produtor da região, Humberto Taverny, também relatou perdas provocadas pelas condições climáticas. Segundo ele, depois de todo o trabalho de plantio e condução da lavoura, o excesso de chuva atingiu justamente o momento da colheita, inviabilizando parte da produção. Na propriedade Orquídea Azul, a estimativa é de perda entre 80 e 90 hectares de plantio.
Diante da situação, o prefeito de Couto Magalhães, Júlio César Brasil (Republicanos), visitou na manhã de segunda-feira, 13, algumas propriedades atingidas, a convite dos produtores. A agenda foi acompanhada pelo vice-prefeito Jeferson Maciel (PT), pelo coordenador da Defesa Civil do município, Joel Almeida, por vereadores e por um representante da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (Adapec).
Após a visita, o prefeito informou que o município avalia a possibilidade de decretar situação de emergência. Segundo ele, a gestão acompanha com preocupação os impactos provocados pelas chuvas, especialmente pelo peso que o agronegócio tem na economia local e regional.
“Estamos preocupados com essa situação porque sabemos da importância do agronegócio para o crescimento do município e do estado. Estamos avaliando uma forma de apoiar esses trabalhadores que sofrem com as chuvas diárias e o inverno severo”, afirmou.
A situação no campo expõe mais uma vez a vulnerabilidade da produção rural diante de eventos climáticos extremos. Em Couto Magalhães e em outras áreas do Médio Araguaia, produtores ainda tentam salvar o que resta da safra, enquanto acumulam perdas que podem comprometer não apenas o resultado desta colheita, mas a capacidade de investimento para o próximo ciclo.