Ciro Nogueira é alvo de investigação da PF em operação sobre corrupção e lavagem de dinheiro
Senador nega irregularidades, diz estar à disposição da Justiça e critica medidas baseadas em suposta troca de mensagens de terceiros.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os investigados está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorrem nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
A decisão também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores no montante de R$ 18,85 milhões. De acordo com a Polícia Federal, a nova fase da operação busca aprofundar as apurações sobre o suposto esquema investigado.
Defesa nega irregularidadesEm nota divulgada nesta quinta-feira, a defesa de Ciro Nogueira repudiou qualquer associação do senador a condutas ilícitas, especialmente no exercício da atividade parlamentar.
Os advogados afirmaram que o parlamentar está disposto a colaborar com a Justiça para esclarecer que não teve participação em atividades ilícitas nem nos fatos investigados.
A defesa também criticou o uso de medidas consideradas graves e invasivas com base, segundo a nota, em “mera troca de mensagens”, sobretudo envolvendo terceiros. Para os advogados, esse tipo de providência pode se mostrar precipitado e deverá passar por controle rigoroso de legalidade nas instâncias superiores.
A manifestação é assinada pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
Operação já teve outras quatro fasesA Operação Compliance Zero teve a 4ª fase deflagrada em 16 de abril deste ano. Na ocasião, foram presos preventivamente o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do suposto esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Daniel Vorcaro está detido desde o início de março, conforme as informações reunidas no âmbito da investigação. Nas quatro primeiras fases da operação, a Polícia Federal cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades da Federação: Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A pedido da PF e do Ministério Público, a Justiça também determinou o sequestro ou bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos até o limite de R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de investigados de eventuais cargos públicos.
A investigação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Como ocorre em procedimentos dessa natureza, os alvos da operação ainda poderão apresentar defesa e contestar as medidas no curso do processo.