O deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO) ficou entre os 19 parlamentares que votaram contra o relatório final da CPMI do INSS, na madrugada deste sábado, 28. Na prática, o voto do tocantinense ajudou a sepultar o principal documento produzido pela comissão, que encerrou os trabalhos sem aprovar um parecer final sobre o esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
O relatório rejeitado havia sido apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) e recomendava o indiciamento de 216 pessoas. Entre os nomes citados estavam parlamentares, ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, representantes de entidades associativas e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ao votar contra o texto, Ricardo Ayres se alinhou ao bloco que impediu que essas conclusões fossem formalmente chanceladas pela CPMI.
Com o voto do parlamentar tocantinense, a comissão sepultou o texto que havia sido apresentado como peça central da investigação sobre descontos irregulares aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas. Ricardo Ayres apareceu na relação de votos contrários ao parecer, ao lado de nomes da base governista e de outros partidos que compuseram a maioria na sessão decisiva.
A sessão foi longa, tensa e terminou já na madrugada, após cerca de 15 horas e meia de reunião. Com a derrubada do parecer por 19 votos a 12, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou os trabalhos sem colocar em votação o relatório alternativo elaborado por governistas. O resultado foi uma investigação de grande repercussão nacional encerrada sem conclusão formal do colegiado.
Criada em 2025 após investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apontarem cobranças indevidas em benefícios previdenciários, a CPMI ouviu dezenas de depoentes, reuniu milhares de páginas de documentos e analisou falhas no sistema de autorização de descontos do INSS. Ainda assim, no voto final, prevaleceu a articulação que derrubou o parecer do relator.
Mesmo com o presidente da comissão afirmando que uma cópia do relatório rejeitado será enviada ao STF, à PGR e a outros órgãos de controle, o fato político já está posto: a CPMI acabou sem relatório aprovado e a investigação conduzida pelos parlamentares acabou esvaziada.