O Ranking de Competitividade dos Estados 2024 funciona como um espelho honesto: revela as qualidades, mas também os pontos em que a imagem institucional precisa ser ajustada. Tocantins ocupa a 15ª colocação geral, com nota 40,5, situando-se no meio do percurso nacional. É um desempenho que inspira atenção e planejamento, sobretudo quando se observa o conjunto dos dez pilares avaliados. No centro desse diagnóstico, está a questão fiscal — não apenas como um pilar isolado, mas como uma engrenagem que influencia todos os demais.
A posição de Tocantins neste pilar reflete um equilíbrio frágil. O estado mantém a máquina pública funcionando, mas com baixa capacidade de investimento. A dependência de transferências da União ainda é alta, e os gastos com pessoal comprimem a margem de manobra. Não se trata de uma crise — mas de uma estagnação silenciosa. A gestão fiscal precisa evoluir do mero controle para o planejamento estratégico: gerar superávit primário, reduzir rigidez orçamentária e aumentar a eficiência da arrecadação sem recorrer à elevação de tributos.
A baixa capacidade de investimento impacta diretamente a infraestrutura — e o ranking mostra isso com clareza. Tocantins aparece entre os últimos colocados, com deficiências em rodovias, energia elétrica, telecomunicações e transporte aéreo. A infraestrutura deficiente encarece a produção, afasta investimentos e dificulta o desenvolvimento regional. O caminho, aqui, passa por parcerias bem estruturadas com o setor privado e pela priorização de projetos com alto retorno social e econômico.
O funcionamento do Estado exige revisão. A posição de Tocantins sugere que o peso da estrutura administrativa está descompassado com sua capacidade de entrega. Aqui, novamente, entra o elemento fiscal: sem um serviço público eficiente, o custo da máquina consome recursos que poderiam estar financiando saúde, segurança e infraestrutura.
Sem dinamismo econômico, a base fiscal não se expande. Tocantins aparece mal posicionado neste pilar, o que revela uma economia pouco diversificada, com baixa capacidade de gerar empregos formais e atrair capital privado. Fomentar cadeias produtivas locais e melhorar o ambiente regulatório são estratégias que, embora não tenham impacto imediato, consolidam uma base arrecadatória mais estável no médio prazo.
A inovação é o oxigênio de qualquer economia moderna. Tocantins está no meio da tabela, mas pode avançar mais. Investir em ciência, tecnologia e empreendedorismo é uma forma de reverter o círculo vicioso: mais inovação significa mais valor agregado, o que gera mais receita e fortalece a posição fiscal do estado.
A segurança pública demanda altos investimentos — e é também reflexo do grau de organização do Estado. A posição do Tocantins revela fragilidades institucionais que só serão superadas com estrutura, inteligência e prevenção. Sem base fiscal sólida, o estado continuará apagando incêndios em vez de planejar segurança a longo prazo.
Este é um dos paradoxos tocantinenses. Apesar da excelente colocação em educação (como veremos abaixo), a qualidade da força de trabalho é baixa. Isso compromete a produtividade e limita o crescimento do PIB estadual, prejudicando — mais uma vez — a base fiscal. A solução passa por programas de qualificação profissional e políticas de retenção de talentos.
Aqui o Tocantins apresenta um desempenho mais equilibrado, mas ainda aquém do desejável. As desigualdades sociais, o acesso desigual ao saneamento e os indicadores de saúde impactam diretamente a produtividade e o custo dos serviços públicos. A inclusão social não é apenas uma exigência moral, mas uma estratégia econômica de longo prazo.
Um dos melhores desempenhos do estado. A preservação ambiental é um ativo estratégico que pode ser convertido em receita por meio de projetos de carbono, turismo sustentável e incentivos à bioeconomia. Aqui, o desafio é integrar esse potencial ao planejamento fiscal de forma pragmática.
O grande trunfo de Tocantins. A nota máxima no pilar da educação mostra que é possível fazer mais com menos. Programas consistentes, avaliações regulares e foco na gestão educacional deram resultado. Este desempenho prova que, mesmo em um cenário fiscal restrito, é possível alcançar excelência quando há estratégia, continuidade e prioridade.
O que os dados revelam, no fundo, é que Tocantins precisa de uma nova cultura orçamentária. O equilíbrio fiscal não deve ser tratado como um fim em si, mas como um meio de garantir políticas públicas eficientes, serviços de qualidade e investimentos estruturantes. Isso exige planejamento de longo prazo, gestão técnica, articulação federativa e — acima de tudo — coragem para estabelecer prioridades.
O Tocantins tem base social, ambiental e educacional para ser protagonista. Mas para isso, precisa de alicerces firmes — e isso começa pelo que não se vê: contas públicas organizadas, infraestrutura funcional e uma máquina estatal que sirva, e não apenas pese.